Moda Estilista negro, Isaac Silva comenta nova SPFW: 'Caminho sem volta'

Estilista negro, Isaac Silva comenta nova SPFW: 'Caminho sem volta'

A partir de hoje, começa a primeira semana de moda brasileira totalmente online e com obrigatoriedade de 50% do casting negro

  • Moda | Nayara Fernandes, do R7

Isaac Silva está entre os estilistas que se apresentam na SPFW

Isaac Silva está entre os estilistas que se apresentam na SPFW

Reprodução

Queridinho de celebridades como Elza Soares, Taís Araújo e Camila Pitanga, o estilista baiano de nome Isaac nem sempre teve orgulho de se chamar Silva. Quando deu início a sua carreira na moda, em 2015, o artista assinava suas peças como Isaac Ludovic. Cinco anos depois, é Silva quem pisa pela segunda vez nas passarelas da São Paulo Fashion Week em um momento duplamente histórico: a partir desta quarta-feira (4), acontece a primeira edição totalmente online e com obrigatoriedade de 50% do casting negro e indígena para todas as marcas.

“A moda sempre foi inacessível para pessoas como eu. Por isso achava que estilista tinha que ter nome estrangeiro. Só quando entendi as infinitas possibilidades da moda brasileira que mudei para Isaac Silva”, revela o artista e empresário, que é conhecido pela influência africana em suas criações. Negro e não binário, Isaac se autointitula afroempreendedor.

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“Gostaria de ser só empreendedor, mas infelizmente vivemos em um país preconceituoso. Quando me intitulo afroempreendedor, é para combater esse preconceito”, explica. Em outubro desse ano, Silva lançou a coleção Panterona, inspirada no movimento dos Panteras Negras da década de 60.

“Essa coleção já estava para ser lançada há alguns anos. É uma coleção de ativismo, mas que veio junto com os movimentos antirracistas mundiais e a iniciativa do coletivo Pretos Na Moda, responsável por esse momento histórico na São Paulo Fashion Week.”

Coleção 'Panterona' é inspirada no movimento Panteras Negras

Coleção 'Panterona' é inspirada no movimento Panteras Negras

Reprodução: Instagram

Sobre a obrigatoriedade das marcas em contratarem modelos negros e indígenas, o estilista é categórico: “Vai ser um caminho sem volta, no bom sentido. As agências de modelos e estilistas já estão vendo com outro olhar. Todo o mercado de moda só tem a ganhar com isso porque vamos mostrar um Brasil mais diverso e rico. Não existem perdas”, opina o estilista, que já adotava a medida em suas decisões de casting. Por conta da dificuldade em encontrar uma variedade de modelos não brancos, Isaac conta que passou a fechar trabalhos com amigas próximas e uma agência especializada em modelos negros.”

“O movimento mundial é de trazer o protagonismo dessas pessoas dentro da moda. Com atraso, as agências estão se reformulando. Mas não é que vão deixar de existir pessoas magras, pelo contrário. Só vai existir mais diversidade”, explica.
No dia 8 de novembro, às 20h30, o estilista apresenta sua nova coleção, intitulada “Jacira – Flores para Iemanjá”, uma homenagem à sua tia, que faleceu neste ano. “É uma lembrança de que dias melhores virão”.

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