Lifestyle Violência doméstica ainda está fora da agenda das empresas

Violência doméstica ainda está fora da agenda das empresas

Pesquisa revela que apenas 25% das organizações oferecem suporte às funcionárias que sofrem com algum tipo de violência

Violência doméstica ainda está fora da agenda das empresas

Evento revelou pesquisa sobre violência doméstica

Evento revelou pesquisa sobre violência doméstica

R7

O feminicídio de uma funcionária, assassinada pelo marido em 2017, soou a sirene no Magazine Luiza de que a empresa não poderia fechar os olhos para essa realidade. Com imensa maioria de mulheres entre os colaboradores, o episódio foi um marco na história da empresa. A organização, liderada por Luiza Helena Trajano, criou o Canal Mulher, para atendimento interno para acolher, orientar e encaminhar as vítimas existentes em seu quadro de colaboradoras, e pôs em curso a campanha 'Mete a Colher', para incentivar denúncias de violência doméstica.

A pesquisa 'Violência e Assédio contra a mulher no mundo corporativo', realizada pela Talenses em parceria com o Instituto Maria da Penha, divulgada nesta quinta-feira (7), revela que o caso do Magazine Luiza ainda é uma exceção. Por meio de questionários online, respondidos por 311 empresas, o levantamento aponta que, para começar, 87% dos CEOs são homens. E apenas 25% das empresas respondentes monitoram e atuam em casos de mulheres que sofrem com algum tipo de violência; 55% delas afirmaram não agir nesse sentido e outros 19% não sabem comentar o assunto.

Só 25% das empresas monitoram casos de mulheres que sofrem com violência

Só 25% das empresas monitoram casos de mulheres que sofrem com violência

Divulgação

Os três principais motivos que levam as empresas a não fazer esse monitoramento são: não está na agenda prioritária da organização (33%), falta de apoio da liderança (12%) e dificuldade de mensurar e controlar (12%).

No entanto, 68% dos participantes disseram acreditar que a violência doméstica sofrida por funcionárias da empresa é um problema que a organização deveria encaminhar. “A empresa é o local no qual a maioria das mulheres passa a maior parte de seus dias e tem relação direta com a vida dos profissionais. Por isso, é responsabilidade das companhias oferecer informações sobre a prevenção do assédio/violência e acolher da forma correta as mulheres que já passam por essas situações”, afirma Rodrigo Vianna, Diretor da Talenses e membro da Aliança para Empoderamento da Mulher.

68%: violência doméstica é um problema que a empresa deveria encaminhar

68%: violência doméstica é um problema que a empresa deveria encaminhar

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Segundo Vianna, pesquisa recente realizada pela Universidade Federal do Ceará, com apoio do Instituto Maria da Penha, revelou que vítimas da violência doméstica se ausentam do trabalho por cerca de 18 dias, gerandoum prejuízo que pode chegar a R$ 1 milhão. E, ainda assim, mais de 50% da alta liderança não se interessa pelo assunto. A constatação é de as empresas não monitoram a violência doméstica, a despeito do impacto financeiro ou social.

O estudo apontou também que, quando o assunto é assédio sexual e moral, as políticas internas estão mais avançadas: 60% das companhias afirmaram possuir políticas e ações para combater esses problemas. As principais ações e políticas que as empresas possuem para combatê-los são: hotline (canal de denúncias para questões de assédio moral e sexual (38%), campanhas de conscientização e sensibilização (32%), canal de ouvidoria para apoio à mulher (25%), apoio jurídico (17%) e subsídio psicológico externo (14%).

Significa que a rede de proteção existe, seria, segundo os pesquisadores, uma questão de dar um passo adiante e englobar a questão da violência doméstica. Para empresas que ainda relutam em abraçar a causa por receio de impacto nos gastos, a experiência do Magazine Luiza é novamente relevante. De acordo com o Samir José, gerente de gestão de pessoas da companhia, a empresa aciona a rede pública, na qual há muitos serviços sub-aproveitados. "Mais do que gastar, nós usamos a influência da empresa para fazer os mecanismos funcionarem. Não estamos preocupados com a produtividade da colaboradora e sim com a pessoa."