Lifestyle Undieting: entenda o movimento que pretende banir dietas 

Undieting: entenda o movimento que pretende banir dietas 

O movimento defende a consciência alimentar e emocional com base em uma boa relação com a comida

Movimento surge como forma de substituir as dietas restritivas, muitas vezes ineficazes

Movimento surge como forma de substituir as dietas restritivas, muitas vezes ineficazes

Reprodução/Pexels

Frases que pretendem ser motivacionais para quem quer perder peso, como "projeto verão," "foco, força e fé", "sem dor, sem ganho", podem até funcionar durante um determinado período de tempo mas, a longo prazo, tendem a se tornar insustentáveis, além de uma fonte de frustrações. Tendo isso em vista, desponta no Brasil uma nova modalidade de trato com a comida e a perda de peso, chamada "undieting" (algo como "não-dieta", em tradução livre), que já é muito difundida em outros países.

Para entender o conceito e descobrir como aplicá-lo em sua vida, a especialista Sophie Deram, PhD em nutrição e pesquisadora em neurociência do comportamento alimentar, explica que o "terrorismo nutricional" de nada ajuda no emagrecimento, e muitas vezes pode ser prejudicial à saúde.

"Estudos comprovam que as dietas que restringem radicalmente a quantidade ou variedade de alimentos são um dos principais fatores do ganho de peso a longo prazo. Isso porque, uma vez que a pessoa volta aos seus antigos hábitos alimentares, tende a recuperar o peso eliminado, podendo inclusive ganhar ainda mais peso. Ou seja, quanto maior a restrição, maior o risco de exagero", explica Sophie.

Segundo ela, uma prova disso é que nunca se falou tanto sobre nutrição e dietas, e jamais a população sofreu tanto com obesidade, se tratando de uma situação paradoxal. 

"Em outros países, como nos Estados Unidos, por exemplo, os profissionais de saúde já não prescrevem dietas muito rigorosas aos pacientes. Já está mais do que comprovado, no mundo todo, que ‘passar fome’ e se privar não é a resposta adequada para a questão da obesidade e pode até ser contraprodutivo", opina ela.

Os três pilares do undieting

Conecte-se com seu corpo

O corpo é inteligente e manda sinais daquilo que necessita. De acordo com Sophie, é importante aprender a identificá-los na hora de se alimentar, fazendo escolhas conscientes, em harmonia com aquilo que seu corpo pede no momento. 

"Não existem alimentos ‘bons’ ou ‘ruins’, nada deve ser visto como proibido, e sim como escolhas alimentares, que devem respeitar a vontade do organismo", ensina a especialista.

"Quando prestamos mais atenção ao nosso próprio corpo, aprendemos a detectar corretamente a fome, e inclusive diferenciar se ela é uma necessidade física ou se é fome emocional- incentivada por emoções e sentimentos como ansiedade, frustração, raiva, tédio e até sede", orienta Sophie.

Torne natural a relação com a comida

O excesso de informações e a atenção excessiva com o que se come e o quanto se come acaba sendo mais maléfico do que benéfico. "Não conte calorias, nem fique pensando incessantemente no que comeu durante o dia, ou se preocupe de antemão antes mesmo de ingerir algo. A relação com a comida deve ser algo natural, deixando de lado a enxurrada de regras que acaba levando aos deslizes. Faça as pazes com a comida e com o corpo", destaca.

Coma melhor, não menos

Ao dizer não à dieta restritiva e abraçar o conceito do undieting, a ideia é investir na qualidade, e não necessariamente no comer menos.

"Procure se alimentar de forma variada, montando pratos coloridos, e busque ter prazer com o ato de comer, respeitando a fome. A comida não é sua inimiga, pelo contrário, ela é fundamental para nossa saúde e comer é algo prazeroso. O que causa sofrimento e ganho de peso são os excessos, não a comida em si. O que deve mudar é a mentalidade e a relação com o alimento, não somente aquilo que se coloca no prato", finaliza Sophie.

*Estagiária do R7, sob supervisão de Luciana Mastrorosa

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