Quarentena aproxima vizinhos e cria amizades: 'Rede de apoio'

Pessoas que moram no mesmo condomínio, mas não se conheciam, acabaram ficando amigas durante o período de isolamento social

Vizinhos desconhecidos viram amigos na quarentena

Vizinhos desconhecidos viram amigos na quarentena

Freepik

A pandemia de coronavírus fez com que milhões de pessoas do Brasil e do mundo ficassem em casa para cumprir o isolamento social. E, ao se verem impedidos de sair, muitos moradores de condomínios acabaram 'olhando' melhor para os próprios vizinhos, que, até então, eram desconhecidos.

Foi o que aconteceu com a nutricionista Camila Carvalho, de 28 anos, que vive em um condomínio no bairro Barra Funda, em São Paulo, e, antes da quarentena, não tinha relação com nenhum dos moradores de lá. "Era na base da educação mesmo, um 'Oi, tudo bem?' e uma conversa fora, mas nada íntimo ou pessoal", conta. "Muito pela correria que existia, e isso acontecia até mesmo em um ambiente que frequentávamos mais, que é o pet place."

Veja também: Como transformar sua casa em cenário perfeito para treinar

O pet place (espaço no condomínio destinado a animais de estimação, onde eles podem correr, brincar e se exercitar), inclusive, foi o principal 'culpado' por mudar a convivência de Camila com os vizinhos. Com a quarentena, ela, que tem uma cachorra, acabou passando mais tempo no local e, consequentemente, conversando mais com os tutores de outros cães.

Camila (dir.) e Juliana (meio) se conheceram durante a pandemia

Camila (dir.) e Juliana (meio) se conheceram durante a pandemia

Arquivo pessoal

"Por um interesse em comum, que são os pets, o assunto começou a fluir e foi se tornando mais pessoal. E, por estarmos com as mesmas angústias e aproveitando mais o espaço compartilhado do condomínio, a turma começou a crescer", conta. "E isso trouxe minha sanidade mental de volta (risos). Descer no pet place, que é quando vejo todos e conversamos sobre qualquer coisa exceto a pandemia, me ajudou muito na parte da ansiedade."

A veterinária Juliana Cury é uma das novas vizinhas-amigas de Camila e, assim como ela, também não tinha uma relação com ninguém do condomínio. "Agora, tenho pessoas incríveis ao meu redor, que eu jamais poderia ter esperado conhecer ou me aproximar não fosse um empurrãozinho (ou um empurrãozão?) da pandemia", diz Juliana. "Longe de mim enaltecer esse caos pelo qual estamos passando, mas pelo menos disso eu consegui tirar algo muito bom: amigos."

Grupos de WhatsApp

Se para uns o espaço físico ajudou a aproximação, para outros foi o ambiente virtual que contribuiu. E foi assim que a dona de casa Clara Fernandes, de 52 anos, moradora de um condomínio em Santana, zona norte da capital, conheceu a vizinha, a confeiteira Juçara Maia, de 48.

"Começamos a nos falar pelo grupo do condomínio no WhatsApp e logo de cara percebemos que tínhamos muito em comum. Depois, 'migramos' para conversas no particular e, hoje, além de nos considerarmos amigas, somos o 'porto seguro' uma da outra, principalmente em tempos tão difíceis", conta Clara.

Rede de apoio

O 'porto seguro' a que Clara se refere diz respeito à rede de apoio que é formada juntamente com as amizades. E isso é quase que uma unanimidade quando questionamos a importância de criar laços com os vizinhos.

"Moramos todos muito próximos, apenas alguns andares ou passos de distância, portanto, quando alguém precisa de algo, basta um interfone ou uma mensagem que o outro logo está lá para ajudar", diz Juliana.

E mais: Mercado criativo se une em projeto para ajudar afetados pela crise

"Hoje vejo que uma rede de apoio é essencial. Quando digo rede de apoio não é apenas para ajudar em momentos de necessidade, mas para a saúde mental, divertimento", completa Camila. "E a surpresa mais legal foi fazer amigos que muito provavelmente não seríamos fora desse ambiente e situação... faixas etárias diferentes, profissões, estilos de vida... tudo! Por isso tem sido tão enriquecedor".

Mas, e quando isso passar?

"Com certeza o que criamos agora será para a vida inteira. Nossas famílias já se conhecem e se adoram. Quando pudermos voltar a sair de casa, a única diferença será que sairemos juntas", garante, bem humorada, Juçara.

"Seja com ou sem pandemia, fazer amigos não tem contraindicações!", afirma Juliana.