Quarentena aumenta procura por cães e gatos para adoção

Tempo livre e solidão durante a epidemia do novo coronavírus fazem crescer busca por animais de estimação

Animais para adoção ganham chance durante a quarentena

Animais para adoção ganham chance durante a quarentena

Reprodução/Instagram

Muitos países estão enfrentando a quarentena como medida para conter a epidemia do novo coronavírus. O pedido é que as pessoas fiquem em casa e evitem qualquer tipo de contato entre si. A nova rotina com tempo livre e a solidão do isolamento fizeram disparar a busca por animais de estimação.

Abrigos de Nova York, nos Estados Unidos, foram os primeiros a perceber a procura por cães e gatos como companhia. Em entrevista à Bloomberg, as ONGs Muddy Paws Rescue e Best Friends Animal Society informaram que os canis parceiros estão praticamente vazios, um aumento de quase dez vezes na procura.

O Brasil começa a seguir os mesmos passos e o cenário deve ser bem semelhante nas próximas semana. “Estamos recebendo muita procura, mas precisamos ser cautelosos. Tem gente buscando só para o período da quarentena e nem sabemos quanto tempo vai levar”, alerta Gabriela Masson, diretora da ONG Amigos de São Francisco.

A idade e o tamanho do animal de estimação não importam, desde que o perfil do bichinho seja adequado à rotina da casa. “Todo mundo quer filhote e de porte pequeno. Mas nem todos precisam de quintal para ficar correndo, tem os que vão querer um cantinho pra ficar no pé do dono. Se for adotar neste período, dê uma chance também para os adultos que moram há anos nos abrigos”, pede Gabriela.

Um ponto positivo é que trabalho home office e o confinamento de todos familiares contribuem para a adaptação do pet em seu novo lar. Dá para criar a rotina, dividir as tarefas, dar a atenção necessária e praticar os ensinamentos.

A possibilidade de mais animais serem adotados é uma esperança para todos voluntários que cuidam de bichinhos abandonados. Mas importante lembrar que os interessados nas adoções passam por uma longa entrevista para saber se há realmente uma compatibilidade.

Temor do abandono

O medo do abandono após o período de reclusão, principalmente pela crise que a população pode enfrentar, reacende um alerta para a posse responsável. Antes da adoção, é preciso estar ciente de possíveis gastos com os cuidados do bichinho e ajustes na casa para evitar fugas.

Também não podemos esquecer que cães e gatos podem viver por mais de 15 anos. Ou seja, a decisão não dura apenas o tempo da quarentena. Se não estiver confiante, a melhor opção seria apenas oferecer lar temporário para ajudar no trabalho das ONGs ou apadrinhar um bichinho à distância.

Abandono animal é considerado crime ambiental, segundo o artigo 32 da Lei de Crimes Ambientais (9.605/98). Pode resultar na pena de detenção de três meses a um ano, além de multa.