É de comer Restaurantes voltam a ser as maiores áreas de risco para covid-19

Restaurantes voltam a ser as maiores áreas de risco para covid-19

Pesquisadores da Universidade de Stanford analisaram dados de geolocalização de celulares e concluíram que restaurantes são zonas com risco quatro vezes maior de infecção que academias e cafés.

  • É de comer | Do R7

Stanford e CDC apontam restaurantes como maiores locais de contágio

Stanford e CDC apontam restaurantes como maiores locais de contágio

Pixabay

Restaurantes de todo o mundo caminham de volta para um novo fechamento. Em São Francisco, EUA, já não é mais permitido fazer refeições em áreas fechadas, a partir de hoje. O prefeito de lá relacionou o aumento de 250% dos casos de coronavírus à volta dos almoços e jantares nesses lugares.

E algumas pesquisas embasam essa afirmação. A Universidade de Stanford analisou dados de 98 milhões de celulares em cidades americanas importantes como Atlanta, Chicago, Dallas, Houston, Los Angeles, Miami, New York, Philadelphia, San Francisco e Washington, entre março e maio. Eles compararam a mancha de movimentação dos donos dos celulares com as áreas de maior contaminação. Cruzando os dados, chegaram à conclusão de que os restaurantes são as áreas de maior risco para a covid-19. Com quatro vezes mais potencial de infecção do que cafés e ginásticas. O estudo foi publicado na conceituada revista Nature essa semana.
O CDC, centro de controle de doenças norte-americano, também fez um estudo comparando hábitos de pacientes que contraíram coronavírus e pessoas que testaram negativo. Encontraram no primeiro grupo duas vezes mais indivíduos que disseram frequentar restaurantes ou bares. A recomendação do órgão da terra do Tio Sam foi apertar as medidas de restrição e diminuir a ocupação nesses lugares.


Por aqui a gente nem precisa de pesquisa pra constatar o óbvio. Nos dois últimos finais de semana, tomei sustos consecutivos ao tentar encontrar um lugar para almoçar fora. Acabou a epidemia, aparentemente, pro povo de São Paulo. Na rua dos Pinheiros, zona oeste da capital paulista, repleta de restaurantes e barzinhos, o que vi foram estabelecimentos cheios, sem o distanciamento mínimo de 1,5m entre as mesas. Adeus medidores de temperatura, aquele frasco de álcool em gel em cada mesa já virou raridade. Raro também é o uso de máscara entre clientes que circulavam nas idas a caixas ou banheiro.
Aquele cerimonial tão típico de quando os restaurantes reabriram há alguns meses, também já era. Nenhuma instrução por parte das equipes aos comensais - como antes se fazia. “Use máscara se levantar, guarde sua máscara nesse saquinho, aqui está o álcool para higiene das mão” são frases já esquecidas. No máximo, vemos os garçons passarem um paninho com álcool na superfície da mesa entre um cliente e outro e olhe lá. Olhe lá mesmo...em alguns lugares nem isso.
Mesma cena eu vi se repetir em outros estabelecimentos em Pinheiros, região da Paulista, Jardins, Vila Madalena. Cheguei a entrar em um bar e sair, de tão desconfortável que fiquei. A hostess, muito educada, disse que havia duas mesas livres. E todas as outras ocupadas estavam praticamente coladas umas nas outras. Eu disse: "Mas não tem um metro e meio de distância entre as mesas..." A solução encontrada pela funcionária, ignorando completamente a observação, foi oferecer uma mesa com quatro lugares, para mim e meu marido. Mesmo assim não rolou. Declinei e fui em busca de um local mais vazio. Em vão, naquela rua. Pegamos o carro e encontramos abrigo num dos poucos restaurantes que estavam respeitando as medidas de segurança nas redondezas: o Martín Fierro, na Vila Madalena.
Assustador. Será que seremos obrigados a fechar novamente os restaurantes porque tanto os donos, quanto o público parecem ter esquecido que as internações nos hospitais voltaram a crescer? Essa semana noticiamos que as unidades de saúde particulares registraram aumento expressivo de casos, nos públicos, segue aquela estabilidade incômoda.
Não é possível manter o protocolo de segurança em vigor? E a fiscalização? Inexiste...principalmente em período eleitoral. As cenas se repetem em todo o país. E nós, de novo, estamos ignorando o alerta que vem de fora: novos picos da doença e lockdowns mundo afora.
Em dois ou três meses, veremos o resultado. Infelizmente, com um novo fechamento, todos saem prejudicados: quem descumpre as regras de segurança e quem segue à risca as recomendações sanitárias. O duro é que o primeiro grupo está aproveitando esse período para lucrar inconsequentemente. O segundo, se segura às penas. Me segue lá, no meu instagram, o @ehdecomer para mais infos a respeito disso.

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