Corrida aos mercados: o coronavírus e a distribuição de alimentos

Como estabelecimentos comerciais, restaurantes e distribuidores de alimentos enfrentam a estocagem e a fuga de clientes diante do Covid-19

O mercado municipal de SP

O mercado municipal de SP

Camé Moraes

Era inevitável. Assim que o medo tomasse conta dos brasileiros, à exemplo do que acontece na Europa e EUA, haveria uma corrida às prateleiras. Nas capitais, já se vê isso. Mas a Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS) afirma que não há problema de desabastecimento e sim de reposição — por causa do grande fluxo de pessoas — principalmente nos mercados de bairros classe “A e B”. A associação também é enfática: “Não há risco de falta de alimentos nas lojas”, de acordo com a nota enviada a esta coluna.

Os produtores da Ceagesp — a maior central de abastecimento de alimentos da América Latina — também notaram um movimento maior no sacolão do varejo, que acontece às quartas e sábados, em São Paulo. “Com medo de aglomeração, os clientes foram mais cedo à feira nesse final de semana, mas todos tiveram a mesma ideia e acabou ficando aglomerado de qualquer jeito.” — diz Lúcia Morikawa, que fornece hortaliças para restaurantes, quitandas, mercados e consumidores finais na região metropolitana da capital paulista.  Ela conta também que a demanda para comércios varejistas continua a mesma, mas que os colegas que fornecem alimentos para restaurantes, por exemplo, já sentem os sintomas econômicos da pandemia.


Cenário semelhante no Mercado Municipal de São Paulo. Apesar do decreto de emergência do prefeito Bruno Covas, o Mercadão, como é conhecido, não fechou as portas. Hoje, estava assim: clientes com máscaras fazendo estoques e pouca gente nas praças de alimentação.

A banca de queijos Roni, que fornece muçarela para grandes redes de pizzaria e restaurantes de todo o estado de São Paulo sentiu a queda nas vendas para os estabelecimentos. "Entre 25% e 30%", disseram os funcionários. Muitos clientes decidiram cancelar as compras, com os salões esvaziados. Por outro lado, donos de vendas e empórios passaram a encomendar um pouco mais — diante da procura dos consumidores finais. É de se esperar. Com isolamento e confinamento, as pessoas não devem pensar em jantar fora. Alguns restaurantes, se antecipando a qualquer medida de quarentena geral, já anunciaram redução de mesas, para evitar a proximidade entre clientes. O chef Alex Atala informou que haverá um limite de 50 clientes por turno de refeição no Dalva e Dito e no prestigiado Dom. Medidas semelhantes de segurança foram adotadas no Corrutela, na Vila Madalena, durante a semana. Mas hoje, depois do endurecimento das recomendações — o local decidiu fechar as portas e trabalhar somente com delivery.

E o brasileiro vai comer o quê? Eis a questão! Nos grandes supermercados de rede, segundo a ABRAS, os produtos alimentícios mais comprados nos últimos dias foram: macarrão, molho de tomate, azeite, sal, bolacha, torrada, creme de leite, leite condensado, açúcar, achocolatado em pó, café, leite, água e suco. Além de papel higiênico e álcool em gel.

Enfim, tudo o que é necessário para se sobreviver a um “apocalipse zumbi”: carboidratos simples e brigadeiro. Ironias à parte, fica o apelo ao bom senso: estocar comida só vai fazer com que a inflação dos alimentos suba e quem mais precisa fortalecer a imunidade(pessoas de baixa renda, com subnutrição e qualidade de saúde precária) terá o poder de compra diminuído.

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