A mesa de bar foi parar no conforto do lar

Bartenders desenvolvem delivery de drinks para consumo em casa e clientes trocam as festas presenciais por brindes virtuais na quarentena

Jean Ponce, eleito duas vezes melhor bartender do Brasil, entrega drinks em casa

Jean Ponce, eleito duas vezes melhor bartender do Brasil, entrega drinks em casa

Divulgação

Imagine uma turma de 8 amigos em casa, trancados, loucos pela chamada mesa de bar. Eles querem se ver, se falar e acima de tudo beber juntos e dar boas risadas. Não, eles não furaram a quarentena, tal qual a blogueira fitness Gabriela Pugliese fez outro dia.  Um casal, dentro desse grupo, teve uma ideia muito melhor e socialmente responsável: ligou para o bar preferido, encomendou drinks para toda a turma, mandou entregar no mesmo horário, nos endereços de cada um dos colegas e fez uma live. Quem teve que preparar dezenas de coquetéis diferentes e fazer o delivery de uma só vez foi o Jean Ponce, dono do Guarita Bar, em São Paulo.
Eu e meus sócios tivemos que nos virar, contratar mais motoboys,  para  entregar a encomenda ao mesmo tempo, para que eles fizessem esse brinde virtual. Foi super legal. Só na casa do casal que idealizou o evento foram entregues dez drinks”, conta Ponce em entrevista a este blog.
O bar virtual já é uma realidade nas principais capitais brasileiras. Vários donos de estabelecimentos e bartenders premiados como Ponce (duas vezes eleito o melhor do Brasil pela revista Prazeres da Mesa) decidiram fazer delivery de drinks para manter o negócio de pé.  “Está funcionando bem, o movimento vem aumentando semana a semana e os pedidos variam de acordo com a temperatura climática”, afirma.
O mixologista conta que o gasto para elaborar os drinks aumentou, porque eles vêm em uma embalagem e com uma quantidade de gelo maior do que seria usada no preparo de um coquetel, ao vivo. Mas os preços são menores dos que habitualmente cobrados no bar, porque perde-se a magia e o diálogo com o bartender.
A tendência nessas próximas semanas é de aumento no delivery e consumo de drinks mais fortes, com misturas de destilados, segundo Jean, por causa da frente fria. Eu mesma em casa, confesso, já troquei a cerveja pelo vinho e pelos drinks como Negroni, Dry Martini e Old Fashioned.

Drink Guarita, sal e pepino

Drink Guarita, sal e pepino

Divulgação

Mas sinto falta de drinks mais elaborados -  afinal não é todo mundo que tem bitters variados e extratos naturais em casa para pirar no mundo da coquetelaria. Uma das bebidas entregues no delivery do Guarita, por exemplo, é o “Guarita, sal e pepino” que custa R$30 reais (ou R$260 se você pedir um litro dele). Ele leva gin Tanqueray Ten, concentrado de Maracujá, água de pepino, sal negro e folha de limoeiro. Eu costumava sempre pedir esse drink quando a casa estava funcionando normalmente, em Pinheiros -  zona oeste de São Paulo. É refrescante, levemente salgado, fácil de tomar e perfeitamente equilibrado. Ótimo para quem não gosta de bebidas com álcool muito pronunciado no paladar. Perguntei ao Jean Ponce se os drinks têm prazo de validade, afinal são feitos com ingredientes frescos. “Com exceção dos coquetéis que levam somente uma mistura de tipos diferentes de ácool, como o Negroni e o Boulevardier, a gente aconselha que as bebidas sejam tomadas em até 3h após a entrega, pois têm ingredientes frescos. Os drinks vêm prontos, diluídos, já batidos com o gelo e com manual de instrução. Explicamos em qual copo servir e como finalizar com a guarnição. Tem que dar uma mexidinha na garrafa, com os dedos nas extremidades. Não é pra chacoalhar, é uma mexida leve”, explica. Para os drinks mais curtos e alcóolicos, que vêm com aquele gelo quadrado grande no bar, eles fizeram uma parceria com a empresa de gelo Ice4pros, que elabora os cubos e entrega  em vários  estabelecimentos da capital paulista.
Com os demais coquetéis, normalmente servidos em copos mais “longos”, vem um quilo de gelo feito no próprio bar. “O cliente não vai usar todo o gelo, é claro, mas é uma gentileza para que ele possa ter no freezer de casa para outras ocasiões”, completa Ponce.
Além do Guarita, destaco também outros dois bares que estão entregando drinks em casa, no mesmo esquema, com gelo e guarnições para finalização. São lugares que eu conheço bem os responsáveis e já cheguei a passar horas no balcão antes da quarentena. O Balaio IMS, que tem à frente das garrafas o mixologista Rafael Welbert,  entrega, entre outros drinks, o excelente Baniwa – feito com gin Amazzoni Negro com pimenta biquinho, vermute branco com lúpulo, vinho manzanilla com cascas cítricas, tintura pimenta baniwa e bitter de aipo. Se você gosta de drinks mais fortes, translúcidos e alcóolicos esse é “O” coquetel. O preço: R$44,90, pelo ifood. Já o Benzina, do barman Gabriel Santanna, entrega drinks clássicos a preços bem razoáveis, como o Dry Martini -  quem vem com copo, gelo e azeitona à parte – por R$20. A casa também montou kits de Gin Tônica, com todos os ingredientes para o cliente se aventurar em casa.
Os bares estão dando o seu jeito, nesse período de isolamento social, mas também tentando proporcionar uma vida um pouco mais normal pra quem está em casa. Afinal, quando tudo isso passar, a gente vai querer estar são da cabeça pra se encontrar ao vivo, em uma boa mesa de bar e pra isso, os bares precisam estar abertos. “Eu ganho menos, mas eu me sustento. Agora a gente ligou o modo sobrevivência. Para poder reabrir quando tudo acabar”, finaliza Jean Ponce.
Quer ver fotos, receitas de drinks e dicas de bebidas nessa quarentena? Entra lá no meu insta, o @ehdecomer, que todo dia eu posto alguma coisa sobre o que eu estou bebendo e comendo nesse período de isolamento. E hoje é dia de drink bebê. #SEXTOU

Serviço: 

Guarita Bar: pedidos podem ser feitos neste link aqui

Benzina: pedidos podem ser feitos pelo direct do instagram

Balaio IMS: pedidos pelo ifood ou neste link aqui