Alimentos ultraprocessados e seus malefícios

Estudo liga declínio cognitivo ao consumo destes alimntos

Exemplos de alimentos ultraprocessados

Exemplos de alimentos ultraprocessados

Pexels

Se os alimentos ultraprocessados ​​representam mais de 20% de sua ingestão calórica diária, você pode estar a caminho do declínio cognitivo, revela um novo estudo.

Todos sabemos que comer alimentos ultraprocessados ​​que facilitam nossa vida, como molhos embalados, pizza congelada e pratos prontos, não faz bem à saúde. Cachorros-quentes, salsichas, hambúrgueres, batatas fritas, refrigerantes, biscoitos, bolos, doces e sorvetes, também estão nesta lista.

Estudos passados já tinham revelado que estes alimentos podem encurtar nossa vida; aumentando o risco de obesidade , problemas cardíacos e circulatórios, diabetes e até câncer. Agora, um estudo mais recente revelou que comer mais alimentos ultraprocessados ​​pode contribuir para o declínio cognitivo geral, incluindo áreas do cérebro envolvidas na capacidade de processar informações e tomar decisões.

“Embora os resultados precisem ser estudados e replicados, eles são muito convincentes e ressaltam o papel crítico da nutrição adequada na preservação e promoção da saúde do cérebro e na redução do risco de doenças cerebrais à medida que envelhecemos”, explica Rudy Tanzi, professor de neurologia na universidade de Harvard e diretor da unidade de pesquisa genética e envelhecimento do Massachusetts General Hospital, em Boston.

Tanzi disse que o principal problema com alimentos ultraprocessados ​​é que "eles tendem a ser altos em açúcar, sal e gordura, que promovem a inflamação sistêmica, talvez a maior ameaça ao envelhecimento saudável do corpo e do cérebro."

O estudo atual foi apresentado na Conferência Internacional da Alzheimer's Association 2022 em San Diego, no estado da Califórnia. Mais de 10.000 brasileiros foram acompanhados por 10 anos, sendo que mais da metade dos participantes do estudo eram mulheres com idade média de 51 anos.

Foram aplicados testes cognitivos, incluindo recordação imediata e tardia de palavras, reconhecimento de palavras e fluência verbal e os participantes foram questionados sobre sua dieta. "No Brasil, os alimentos ultraprocessados ​​representam entre 25% e 30% da ingestão total de calorias. Não é muito diferente, infelizmente, de muitos outros países ocidentais" disse a co-autora do estudo, Dra. Claudia Suemoto, professora adjunta da divisão de geriatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Alimentos ultraprocessados ​​são compostos por: óleos, gorduras, açúcares, amidos e isolados de proteínas; que contêm pouco ou nenhum alimento integral e geralmente incluem aromatizantes, corantes, emulsificantes e outros aditivos cosméticos.  "Pessoas que comiam mais de 20% das calorias diárias de alimentos processados ​​tiveram um declínio 28% mais rápido na cognição global e um declínio 25% mais rápido no funcionamento executivo em comparação com pessoas que comiam menos de 20% ", disse a coautora do estudo Natalia Gonçalves, pesquisadora do departamento de patologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Para uma pessoa que ingere 2.000 calorias por dia, 20% equivaleriam a 400 ou mais calorias. Uma simples comparação: uma pequena porção de batatas-fritas e um cheeseburger normal  contém um total de 530 calorias. "As pessoas precisam saber cozinhar mais e preparar sua própria comida. E vale a pena porque você protegerá seu coração e seu cérebro da demência ou da doença de Alzheimer”, disse Suemoto. 

Então fica um aleta: pare de comprar alimentos ultraprocessados! Sua saúde agradece!

Últimas