Namorar ou casar não é nenhuma garantia de ter compromisso 

Relacionamentos exigem ajuste das demandas afetivas para que duas pessoas realmente possam se tornar um casal 

Lucas quer demais e Hari quer de menos: romance pede ajuste de expectativas

Lucas quer demais e Hari quer de menos: romance pede ajuste de expectativas

Reprodução/PlayPlus

Participantes de A Fazenda 11, Lucas e Hari têm protagonizado um espetáculo de desmandos emocionais, mas, de cara, a despeito das inseguranças de um e de outro, o que grita ali é a diferença entre as demandas afetivas. Lucas idealizou uma Hari que não existe e sonha com um compromisso. Hari não quer nada com nada. Male e má quer um namorado. Daí a coisa desanda. 

Namorar ou casar não é garantia de ter um compromisso. Dar beijo na boca e ver série comendo pipoca todo mundo quer, mas ter um compromisso é muito mais do que ter uma companhia. Nesses tempos de amores líquidos, as pessoas fogem disso. Formam casais, mas não são um par. 

Ter um compromisso significa estar comprometido com os desejos, com a verdade, com a lealdade, com a vontade de se fazer feliz, de se ver bem, de construir um caminho, de pegar no colo ou ajudar a desviar, dependendo do obstáculo. É estar comprometido em estar de mãos dadas, aconteça o que acontecer. Não é sobre ciúmes. Não é sobre dinheiro. Não é sobre beleza. Não é sobre tesão. É sobre paz.

É fazer com que esse compromisso deixe o coração do outro sereno. É sobre segurança afetiva. É sobre um amor que transcende o relacionamento afetivo. É estar comprometido com o sorriso do outro, com a alma do outro, com o espírito do outro. Às vezes, acontece de existir isso. Outras vezes, acontece de ter tudo isso, mas não ser mais um casal. E o relacionamento acaba. Mas quando um namoro ou um casamento foi construído com compromisso, isso não morre nunca. O tal do felizes para sempre, sabe? Mesmo que cada um siga outro rumo, o compromisso de ver a felicidade daquela pessoa que fez parte da sua vida não acaba. 

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Mas muito pouca gente se dá a chance de viver uma experiência de vida em que um esteja comprometido com o outro. Normalmente, quando a pessoa percebe que a demanda é por um compromisso, ela espana.

Ter um compromisso exige muita atenção, sagacidade, observação. Dá trabalho perceber o outro, saber o que precisa e como atender. O que as pessoas não sabem é que quando se deseja estar em um compromisso isso é prazeroso. Não é um fardo se preocupar em agradar o outro, é um prazer. É realmente ficar feliz por fazer alguém feliz de verdade. Não é um saco. É gostoso. É poder pensar em maneiras de deixar o outro acolhido e se acolher também. É se fazer presente porque é na presença que a vida se realiza. Atender as demandas afetivas do outro é preencher as próprias lacunas. Não é posse, é troca.

Mas é preciso muita vontade, muito amor, muito desprendimento, muita coragem e pouco egoísmo para ter um compromisso. Por isso, antes de se enroscarem por aí, prestem bastante atenção naquilo que vocês estão dispostos a fazer. Nenhum problema em ter relacionamentos pra curtição, a vida está aí pra isso também. Mas não confunda com compromisso. Ajuste as expectativas, sua e do outro. Relacionamentos não correspondidos, ainda que seja só no ajuste das demandas, são um ringue de rinha. Alguém sempre vai sair ferido. E não tem sino pra tocar...

Quando a gente ama pra valer bom mesmo é ser feliz e mais nada. Poucas coisas na vida são melhores do que um compromisso recíproco. Quem conseguir, aproveite.