Epidemia de feminicídio: comemorar o quê?

Neste Dia Internacional da Mulher é triste constatar que a sociedade brasileira ainda não enxerga a seriedade da matança de mulheres

Uma mulher é morta no Brasil a cada duas horas, uma verdadeira epidemia

Uma mulher é morta no Brasil a cada duas horas, uma verdadeira epidemia

Arte/R7

Circula nas redes sociais um meme que compara os dados de um possível surto do Coronavírus aos dados de mortes de mulheres vítimas de feminicídio. A ideia é  mostrar que, enquanto o vírus causa pânico e mobiliza a sociedade, a matança de mulheres não consegue sensibilizar as pessoas. 

Os dados sobre o crime mantêm o Brasil em 5ª no ranking mundial, segundo a Organização Mundial da Saúde. O feminicídio foi uma das ocorrências que mais aumentaram no país em 2019.

Segundo pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mais de 4,6 milhões de mulheres sofreram agressão física no último ano. Aqui, uma mulher é morta a cada duas horas.

São crimes cometidos em sua maioria dentro de casa, por maridos, namorados ou ex-companheiros, ou seja, por conhecidos das vítimas. Os homens que matam essas mulheres usam da confiança para transformar suas companheiras em estatística. 

Feminicídio está entre os crimes que aumentaram no Brasil em 2019

Reprodução/Twitter

Nos primeiros nove meses de 2019, os casos de feminicídio cresceram quase 30% em São Paulo, em relação a 2018. No estado, foram 121 mortes de mulheres entre janeiro e setembro, segundo a Secretaria da Segurança Pública.

Veja o perfil dos matadores de mulheres 

O feminicídio não acaba só com a vida das mulheres: 8 em cada 10 assassinatos de mulheres acontecem diante dos filhos. O Instituto Maria da Penha já se mobiliza para acolher os órfãos do feminicídio, uma multidão de crianças invisíveis para o poder público. 

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O feminicídio não escolhe faixa etária ou classe social. Homens de todo tipo, muitas vezes acima de qualquer suspeita, agridem e matam suas companheiras e ex-companheiras. O crime, na grande parte as vezes, é o desfecho trágico de um relacionamento abusivo.

Há inúmeros esforços no sentido de mostrar para as mulheres o risco de relações em que onde o amor surge revestido de violência. Muitas ainda se sentem culpadas pelas agressões que sofrem. É um mecanismo ardiloso, que confunde as vítimas.

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Todo esforço ainda esbarra na cultura machista que normaliza a violência doméstica e faz com que os números do feminicídio causem pouca ou nenhuma indignação. Seria bom usar esse Dia Internacional da Mulher para lembrar que muito ainda precisa ser feito para que essa epidemia termine.