Patricia Lages Servidores de cargos extintos custam bilhões aos cofres públicos

Servidores de cargos extintos custam bilhões aos cofres públicos

Governo federal gasta R$ 8,2 bilhões por ano para pagar salários de 69 mil servidores com cargos extintos ou em extinção

Em um mundo onde a tecnologia e a automação avançam em alta velocidade é preciso que os profissionais estejam atentos aos rumos que sua área está tomando para não se tornarem obsoletos. Com exceção do mundo paralelo do funcionalismo público, afinal, um empregado que não pode ser demitido, ainda que sua função não faça mais sentido algum, só pode estar vivendo em outro planeta.

Fazem parte da lista de cargos extintos ou em extinção – cujos salários são religiosamente pagos com dinheiro do contribuinte – ascensorista, operador de Telex, perfurador digital, datilógrafo. Atualmente, 2.997 datilógrafos recebem um salário médio de R$ 6,5 mil por mês, o que custou incríveis R$ 400 milhões apenas no ano passado.

Governo federal gasta o dinheiro do contribuinte com cargos em extinção

Governo federal gasta o dinheiro do contribuinte com cargos em extinção

Pedro França / Agência Senado

Diante disso você pode estar se perguntando por que os funcionários de cargos que nem sequer correspondem à realidade não são remanejados para outras funções. Bem, eles até poderiam, mas só quando o segundo sol chegar para realinhar as órbitas dos planetas, como diria Cássia Eller. Ou seja, somente quando e se quiserem. Muitos simplesmente se recusam a “ter de trabalhar” e encontram um colo aconchegante na lei 8.112 de 1990 que não permite que o servidor desempenhe “atribuições estranhas ao cargo que ocupa, exceto em situações de emergência e transitórias”.

Significa que, se um indivíduo foi concursado em 1995 como ascensorista, ainda que praticamente todos os elevadores hoje em dia sejam automatizados, ele ainda continuará exercendo essa função por mais alguns anos até que se aposente. Mas aí você pode estar pensando: tudo bem, logo a aposentadoria chega e a folha de pagamento se reequilibra. Mas não é bem assim, pequeno gafanhoto, afinal de contas, quem é que pagará a aposentadoria do cidadão que sobe e desce? O vínculo com o estado, em média, dura 59 anos, sendo 30 anos de trabalho e mais 29 anos de aposentadoria.

E aí a pergunta é: onde é que isso faz algum sentido? Somente no mundo do funcionalismo público que, além de pagar salários muito acima da iniciativa privada, ainda é possível haver pessoas recebendo sem nem sequer trabalhar. Talvez daí tenha surgido a expressão “quanto é que você ganha” quando alguém quer saber o salário do outro. Até porque, quem recebe sem trabalhar está mesmo ganhando... Enquanto isso, seguimos na labuta para que nos sejam arrancados cinco meses da nossa renda todos os anos apenas para pagar por essa e tantas outras farras que acontecem com nossos impostos. E esse segundo sol que não chega...

Autora

Patricia Lages é autora de 5 best-sellers sobre finanças pessoais e empreendedorismo e do blog Bolsa Blindada. É palestrante internacional e comentarista do JR Dinheiro, no Jornal da Record.

Últimas

    http://meuestilo.r7.com/patricia-lages