Por que as pessoas abrem mão de seus direitos tão facilmente?

A falsa sensação de segurança que algumas autoridades oferecem aliada à mídia que manipula e gera pânico faz muita gente abrir mão da liberdade

O que oferecem em troca da nossa liberdade?

O que oferecem em troca da nossa liberdade?

Pixabay

Todas as nações ao redor do mundo só puderam ser formadas depois de constituírem seu conjunto de leis. Cada país tem suas próprias regras, que podem diferir de outros, mas uma delas é praticamente unânime: caso haja prática de crime ou contravenções, haverá privação da liberdade.

Há séculos a humanidade tem ciência de que a maior punição que uma pessoa pode ter é perder o seu direito à liberdade. Voltando no tempo, a história do Brasil mostra o sacrifício que teve de ser feito em prol da independência quando ainda éramos colônia portuguesa. É curioso pensarmos que estrangeiros chegaram aqui dizendo ter descoberto algo que já existia... E na qualidade de “descobridores” se acharam no direito de possuir a terra e extrair dela e do seu povo todas as riquezas que quiseram.

O brasileiro de cinco séculos atrás não é muito diferente dos brasileiros de hoje que, em troca de uma sensação de segurança, continuam vendendo sua própria liberdade. É fácil de explicar, mas difícil de entender. O que acontece é que a liberdade exige responsabilidade, ou seja, uma pessoa livre tem de ser responsável por si mesma, por seus atos e principalmente por seu sustento.

Mas as pessoas preferem que alguém cuide delas, ainda que tirem proveito delas. O sonho de grande parte dos brasileiros é ter um emprego em uma grande corporação, pois, além do salário, receberão benefícios como plano de saúde, seguro de vida e um programa de previdência que garanta a seu sustento após décadas de trabalho.

Porém, uma vez que a empresa ache conveniente, desliga o funcionário e este perde de uma só vez tudo em que se apoiava. A tal segurança, na verdade, nunca existiu. O destino tão bem traçado que custou a venda de um terço dos seus dias vai por água abaixo do dia para a noite.

E assim, quando alguém surge oferecendo segurança, as pessoas prontamente se colocam em sua total dependência. Facilmente abrem mão de seu poder de escolha, de seu tempo e de seus direitos. Mesmo sem ter cometido nenhum crime, são privadas da própria liberdade.

Nessa pandemia, inúmeros países optaram pelo isolamento social. Alguns com mais ou menos rigor, porém, nenhuma medida até o momento provou ser realmente eficiente. Na cidade de Nova York, 66% dos infectados pelo coronavírus contraíram a doença dentro de suas próprias casas, onde deveria haver segurança. Privaram-se da vida normal, cederam às regras, mas não alcançaram a proteção prometida.

Esse controle que tentam nos impor a cada dia com mais rigor não pode prometer nada, mesmo assim, consegue controlar as pessoas que, tomadas pelo pavor, aceitam tudo de cabeça baixa. “Fique em casa”, eles exigem, usando a mídia, as celebridades e o medo. Mas o que podem oferecer em troca da nossa liberdade? Quem pode afirmar com toda certeza de que essas medidas irão nos salvar? E, mais tarde, quando a população perceber que não tem emprego e não há nem mesmo alimento nas prateleiras, quem irá oferecer segurança e comida na mesa?

É triste ver que antes, as pessoas vendiam sua liberdade por um salário, porém, agora doam sua liberdade a troco de promessas que não podem ser cumpridas. Quem imaginaria algo assim em um mundo que se diz empoderado e livre...

Autora

Patricia Lages é autora de 5 best-sellers sobre finanças pessoais e empreendedorismo e do blog www.bolsablindada.com.br. É palestrante internacional e comentarista do JR Dinheiro, no Jornal da Record.