No novo Brasil manipular a opinião pública não funciona mais

Globo chega ao desespero ao ver seu império ruir e usa tática de manipular opinião pública para atacar quem não banca seus gastos faraônicos

Cariocas são a favor do fim de repasses para Carnaval

Cariocas são a favor do fim de repasses para Carnaval

FERNANDO SOUZA - 24.07.2020/AGIF - AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/ESTADÃO CONTEÚDO

É de conhecimento geral que o Grupo Globo vem passando por dificuldades financeiras inéditas. Pela primeira vez estamos testemunhando séries de demissões, incluindo parte do elenco fixo da emissora – que inexplicavelmente passou anos e até décadas recebendo fartos salários mesmo sem trabalhar – e perdas de contratos de exibição milionários, a exemplo da Fórmula 1 e Copa Libertadores.

Mesmo alegando que as dificuldades financeiras com a queda da audiência se devem à concorrência de plataformas como YouTube e Netflix, é sabido que a derrocada da Globo teve início principalmente depois que Marcelo Crivella (Republicanos) assumiu a prefeitura do Rio de Janeiro. Desde então, a verba publicitária de 150 milhões que seu antecessor destinava ao grupo foi cortada a zero e houve reduções consideráveis de repasse de dinheiro público ao Carnaval carioca exibido pela emissora há décadas.

Nas palavras de Crivella, “o Carnaval é um bebê parrudo que precisa ser desmamado e andar com as próprias pernas”. Há alguns meses, o prefeito decidiu cortar definitivamente qualquer verba para o evento. A partir de 2020 as escolas de samba não receberão um real sequer de dinheiro púbico, assim como nenhum outro evento com venda de ingressos terá atividades custeadas pela prefeitura do Rio.

E o que a população fluminense acha da medida? Segundo pesquisa do Datafolha, publicada em dezembro de 2019, na Folha de S.Paulo, a decisão do prefeito conta com a aprovação de 60% dos cariocas que se declararam contra o repasse de dinheiro do município para os desfiles.

Além disso, no último dia 4, Crivella usou suas redes sociais para cobrar da Rede Globo o pagamento de uma dívida com a prefeitura de R$ 33 milhões em IPTU e ISS. “Se vocês pagarem o que devem, vou investir tudo na saúde de nossa cidade E aí, vocês topam?”, desafiou o prefeito.

Em nota, a emissora nega a dívida: “A Globo não tem débitos pendentes com a prefeitura. Como qualquer empresa brasileira, tem garantido por lei o direito de questionar possíveis cobranças indevidas".

Se houve erro, como qualquer empresa brasileira, a Globo deve ter em seus arquivos documentos que comprovem seu questionamento quanto às “possíveis cobranças indevidas”. E, diferentemente da maioria das empresas brasileiras, o grupo tem condições de mostrar publicamente tais documentos, afinal, o maior interesse de qualquer pessoa ou empresa que é acusada de algo é divulgar provas de sua inocência.

Mas como as eleições se aproximam e o dinheiro público está fazendo muita falta aos caixas da Globo, é preciso que Crivella não se reeleja. Para isso, vale tudo, inclusive a velha tática de tentar manipular a opinião pública atacando até mesmo a Igreja Universal, instituição da qual Crivella é bispo licenciado desde que assumiu cargos públicos. Nenhuma instituição religiosa é tão atacada por um grupo de comunicação há tanto tempo. No caso da Universal, os ataques acontecem há mais de 30 anos, sem que nenhuma das acusações tenha sido provada.

Outra tática de manipulação é vazar informações vagas sobre processos sigilosos que, inexplicavelmente, o grupo tem acesso, como é o caso das acusações do MP (Ministério Público) contra Crivella. Em entrevista à CNN, por volta do meio-dia de hoje, o prefeito declarou ter lido todo o processo – ao qual seus advogados têm acesso – e que nele não há nada que desabone sua conduta. Em razão disso, Crivella propõe à juíza do processo que quebre o sigilo para que toda a imprensa possa aceder às informações oficiais.

A questão é que a população brasileira acordou para o fato de que vem sendo manipulada há décadas e hoje, amadurecida, não aceita mais esse tipo de conduta por parte da imprensa. As redes sociais deram voz a quem jamais pode falar e o crescimento de outras emissoras, a despeito da concorrência desleal por parte da Globo, quebrou o “monopólio da verdade”.

Estas eleições prometem uma enxurrada de fake news, ataques e mentiras, cabe a nós, eleitores conscientes, estarmos atentos às tentativas de manipulação e usarmos nosso discernimento em relação a quem daremos o poder de decidir o que será feito das nossas cidades.