Matemática acusada de "supremacista branca"

Se você acha que a matemática tem uma resposta correta apenas porque ela funciona assim, saiba que há quem creia que isso é racismo

Estudante faz contas na lousa

Estudante faz contas na lousa

Divulgação/ Freepik

De acordo com um movimento crescente entre educadores que se consideram “acordados”, você deve estar dormindo se não vê racismo na matemática. Não, você não leu errado. Os canhões do “progressismo” e da esquerda que trabalha incansavelmente para dividir as pessoas e causar todo tipo de confusão agora estão voltados para a matemática.

Sem dúvida, essa é uma das matérias mais malvistas do currículo escolar por reunir disciplinas como aritmética, álgebra, geometria, trigonometria, estatística, cálculo etc., das quais muita gente quer distância. Porém, sem esses fundamentos, nada do que foi feito existiria.

Como a matemática também é responsável pela sistematização de quantidades, medidas, espaços, estruturas e variações, sem ela, o celular, tablet ou computador em que você lê esta análise simplesmente não existiria, assim como o sofá onde você está sentado ou a roupa que está vestindo.

Porém, há quem diga que ensinar uma criança que 1 + 1 é igual a 2 é uma prática racista e inaceitável. E mais: a imposição de uma “supremacia branca”. Segundo os educadores-progressistas-acordados, a matemática precisa ser mais inclusiva e igualitária.

De acordo com o site do National Council of Teachers of Mathematics (Conselho Nacional de Professores de Matemática), dos Estados Unidos, o ensino da disciplina deve ser baseado na “equidade” e requer que o professor “tome posição pelo que é certo”. O Conselho exige que os docentes “reflitam sobre sua própria identidade, posições e crenças em relação a mecanismos racistas e baseados em classificação” e que precisam “observar os alunos, aprender sobre os mundos em que vivem e construir a matemática que vem desses mundos”.

O educador Sunil Singh, membro do Projeto de Restauração Humana, aponta que os matemáticos mais famosos são brancos, como Pitágoras, Euclides, Descartes, Gauss e Newton. Para Singh, levar tantos brancos à sala de aula significa que nem todos os alunos estarão representados, além do que, com a matemática de hoje, “todo estudante vai se deparar com o zero e com o sinal negativo”.

“O problema maior é que não há nomes facilmente reconhecíveis de líderes matemáticos não brancos que sejam fluentes em conteúdo e/ou pedagogia”, afirma o educador e complementa: “O cálculo foi uma conquista monumental e merece ter a autoria reconhecida com Newton. Mas, e se não foi Newton que descobriu o cálculo? E se fosse o estudioso japonês Seki Takakazu? Nós nunca saberemos!”

A questão é que todos esses questionamentos, que podem ou não ter razão de ser, fazem com que o educador se aparte de seu papel principal – neste caso, ensinar matemática – e comece a jogar os alunos em uma espiral de narrativas e ideologias que, como o próprio nome diz, são ideias e não ciência. A representatividade é importante, mas não pode ser um requisito básico para o aprendizado, pois não há como mudar a história ou querer reinventar a forma como as coisas são. Não há como “construir uma nova matemática que vem de outros mundos”.

De acordo com os resultados de 2018 do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), cerca de 68% dos estudantes brasileiros com 15 anos de idade não possuem o nível básico de matemática para o exercício pleno da cidadania. Diante de uma realidade desastrosa como essa, é preciso reavaliar como o ensino vem sendo aplicado no país, o que nada tem a ver com a cor das pessoas que desenvolveram, estruturaram ou sistematizaram o conhecimento.

Vivemos em uma sociedade que diz combater o preconceito, mas que, ao contrário disso, o promove a cada dia mais. Fato é que 2 + 2 sempre serão 4 e não importa a mínima a cor da pele de quem chegou a essa conclusão. Importa que tenhamos uma sociedade onde todos tenham o direito de aprender o que interessa, sem perder tempo com narrativas e invencionices. Se isso é estar acordado, por favor, nos deixem continuar dormindo.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

Últimas

    http://meuestilo.r7.com/patricia-lages