Dá para confiar nos institutos de pesquisa?

Às vésperas da eleição, surge novo estudo que parece objetivar justificativa da distância entre pesquisas e realidade

O voto deve expressar a sua opinião, não a dos outros

O voto deve expressar a sua opinião, não a dos outros

Fernando Frazão/Agência Brasil

Grandes institutos de pesquisa já cometeram erros históricos quando o assunto é o resultado das eleições. Segundo um levantamento do Yahoo Brasil, um deles foi em 2014, quando o Datafolha errou 63% das previsões de intenção de votos para cargos executivos envolvendo os principais candidatos no primeiro turno.

Atente para o número: 63%, bem mais do que a metade. Ou seja, mesmo considerando a margem de erro que os institutos utilizam como parâmetro (2% para mais ou para menos), a porcentagem mostra o quanto esse tipo de levantamento pode estar descolado da realidade.

Na eleição presidencial de 2018, a pesquisa Datafolha divulgada em 10 de setembro mostrou o seguinte resultado: Jair Bolsonaro (PSL), 24% das intenções de voto; Ciro Gomes (PDT), 13%; Marina Silva (REDE), 11%; Geraldo Alckmin (PSDB), 10%; Fernando Haddad (PT), 9%.

Já em 28 de setembro, os resultados mudaram e o instituto apontou Fernando Haddad eleito no segundo turno. Mas, mais do que isso, todos os resultados do Datafolha simulando o segundo turno apontaram que qualquer candidato venceria Jair Bolsonaro.

E, falando em descolamento da realidade, também é comum que, quando a possibilidade de os resultados reais se distanciarem muito dos previstos, comecem a surgir “justificativas” para as discrepâncias. Basta fazermos uma pequena lição de casa, levantando quais meios de comunicação divulgaram as previsões como se fossem super seguras, mas que agora, depois de todo estardalhaço colocando Lula à frente em todos os cenários, começam a mudar o tom.

Nesta semana, o Datafolha divulgou uma pesquisa inédita afirmando que 35% dos eleitores entrevistados não se sentem à vontade para declarar o voto para presidente. O levantamento também afirma que 40% dos eleitores de Lula e 27% dos de Bolsonaro “se sentem menos à vontade para declarar o voto”. Afinal de contas, essas pessoas declararam o voto ou não?

Seja lá como for, é preciso lembrar que mesmo que os institutos de pesquisa sejam “95% confiáveis” como afirmam ser, ainda assim, o seu voto deve expressar a sua opinião e não a dos outros, caso contrário, o processo eleitoral democrático perde totalmente o sentido.

Que amanhã possamos comemorar o fato de ainda vivermos sob uma democracia e que as ameaças de trocar as cores da nossa bandeira fiquem no passado.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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