Patricia Lages Brazil conference: fracasso de audiência, sucesso de “deslikes”

Brazil conference: fracasso de audiência, sucesso de “deslikes”

Evento on-line organizado por alunos brasileiros de universidades americanas tem baixa audiência e enxurrada de críticas

Debates de presidenciáveis fracassou

Debates de presidenciáveis fracassou

Reprodução

A Brazil Conference é descrita em seu próprio site como “Davos Brasileira”, um evento que acontece anualmente desde 2015, idealizado e desenvolvido por estudantes da Universidade Harvard e do MIT (Massachusetts Institute of Technology), na região de Boston, nos Estados Unidos. O objetivo, segundo a página web, é reunir “intelectuais brasileiros que possam discutir os desafios e caminhos possíveis para o Brasil”. Por conta da pandemia, este ano o evento foi transmitido on-line, ao vivo, em parceria com o Estadão.

Uma das lives, intitulada “Brazil Conference debate os desafios do Brasil”, reuniu o apresentador de TV Luciano Huck, o ex ministro da fazenda e vice-presidente do PDT Ciro Gomes, os governadores tucanos de São Paulo e do Rio Grande do Sul, João Doria e Eduardo Leite e o ex prefeito petista de São Paulo Fernando Haddad.

As transmissões foram feitas em dois canais do YouTube: Brazil Conference, que conta com 20,8 mil inscritos e Estadão, com 525 mil inscritos. No canal da Brazil Conference, o evento foi transmitido em duas partes. A primeira teve – até o momento – pouco mais de 56 mil visualizações e recebeu 615 “likes” contra 3,5 mil “deslikes”. A parte 2 está próxima das 180 mil visualizações, com 5,1 mil “likes” e “22 mil deslikes”. No canal do Estadão, o evento foi exibido em um único vídeo, com mais de três horas de duração, e a audiência chegou às 76 mil visualizações, recebendo 11 mil “deslikes” contra 3,3 mil “likes”.

Também chama a atenção a quantidade de comentários negativos. Entre eles, alguns dos mais populares são: “Esse povo não cansa de passar vergonha, não?”, “A corja toda desesperada”, “Fiasco nacional” e “Se juntar todos aí dá 100 anos de cadeia, hein? Cadê o dinheiro da pandemia?”.

A conversa girou em torno de uma série de ataques ao presidente Jair Bolsonaro, citando o mesmo mantra de sempre: genocida, fascista etc. Houve total hegemonia entre os participantes sem nenhum contraponto, o que, nesse caso, nem poderia ser chamado de debate. Tratou-se apenas de um encontro de postulantes à presidência da república, desafetos ao presidente, que viram no evento a possibilidade de criar uma espécie de força-tarefa para impor suas narrativas. Mais parecido com um encontro de fofoqueiros quando se juntam para falar mal de alguém que não está presente.

A live sobre redes sociais, que contou com a presença de Felipe Neto, foi outro fiasco e não chegou nem a 5,5 mil visualizações no canal do Estadão. O comentário mais popular diz: “Ótimo conteúdo. Eu estava com prisão de ventre e resolvi o problema nos primeiros 10 minutos. Obrigado”. Bom saber que, para alguma coisa, o evento serviu...

Infelizmente temos brasileiros, dentro e fora do país, promovendo distorções sobre o que é, de fato, um debate e um canal de comunicação que não pratica regras básicas do jornalismo, que é dar voz também ao outro lado. O que se vê não passa de uma militância que tenta a todo custo impor um único pensamento, vazio de argumentos e repleto de ilações. Onde não há debate, não há democracia. Shame on you, Brazil Conference. Vergonha devidamente passada no débito e no crédito.

Patricia Lages é autora de 5 best-sellers sobre finanças pessoais e empreendedorismo e do blog Bolsa Blindada. É palestrante internacional e comentarista do JR Dinheiro, no Jornal da Record.

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