Coronavírus

Patricia Lages Auxílio emergencial sem educação financeira ameniza, mas não resolve

Auxílio emergencial sem educação financeira ameniza, mas não resolve

É a velha história de dar o peixe sem ensinar a pescar que, obviamente, fará com que quem recebeu continue esperando mais até que o oceano seque

Auxílio emergencial

Auxílio emergencial

NDRE MELO ANDRADE/MYPHOTO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

A iniciativa do governo federal em prover auxílio financeiro em um momento de desemprego em alta e com um sem-fim de autônomos impedidos de trabalhar é uma das principais medidas para amenizar o tombo financeiro que a quarentena impôs a milhões de pessoas. Porém, como toda medida emergencial, ela não é para sempre e já tem data expiração.

A má relação do brasileiro com as finanças não é de hoje, mas as estatísticas atuais apontam números cada vez piores. Segundo a CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) e o SPC (Serviço de Proteção ao Crédito), mais da metade da população gasta todos os seus recursos sem poupar absolutamente nada.

Quando se trata da aposentadoria, o Relatório Global do Sistema Previdenciário 2020, elaborado pela Allianz, aponta que 90% das pessoas não faz nenhum tipo de investimento, mesmo sabendo que a previdência social não é suficiente nem mesmo para suprir as necessidades básicas.

Diversos estudos revelam que 60% dos brasileiros não fazem controle financeiro periodicamente, dentre eles, alguns declaram fazer apenas esporadicamente, enquanto a maioria admite não fazer nunca. Por outro lado, cerca de 63 milhões de brasileiros estão na inadimplência, ou seja, 40% da população adulta perdeu a capacidade de pagamento e está com o CPF negativado.

Isso mostra que o brasileiro gasta sem saber se pode ou quanto pode e que tem pouca ou nenhuma preocupação com seu próprio futuro. A forma como grande parte da população usa o dinheiro foi escancarada em razão da pandemia: se não trabalha hoje, não come amanhã. Se não tem renda hoje, não há como pagar as contas que já foram feitas antes de o dinheiro chegar.

E a pergunta é: o que a educação tem feito para mudar essa realidade? Afinal de contas, filhos de inadimplentes têm uma enorme chance de serem futuros inadimplentes. Parece que aqueles que definem a educação no país estão mais preocupados em sustentar a pregação da ideologia de gênero do que em formar uma nação de pessoas que possam sustentar a si mesmas.

Muitas vezes não se trata de falta de dinheiro, mas de falta de visão. Quando a visão é despertada, a pessoa entende que precisa multiplicar o que tem e começa a enxergar oportunidades para construir seu próprio futuro.

É o caso da desempregada Luana de Jesus, de 33 anos, que recebeu três parcelas do auxílio emergencial no valor de R$ 1.200. Moradora de Itabaianinha, Sergipe, e mãe solteira de três filhos, Luana usou o dinheiro para realizar um sonho antigo: ter seu próprio negócio. Ela abriu um frigorífico e mudou de vida com o mesmo auxílio que muita gente gastou em questão de poucos dias.

É preciso ir além, pois não basta dar o peixe, é preciso ensinar a pescar.

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