Patricia Lages Análise:Escola dos EUA orienta alunos a denunciar pais por racismo 

Análise:Escola dos EUA orienta alunos a denunciar pais por racismo 

Livro ensina crianças de 4 anos a serem “barulhentas, desconfortáveis e confrontadoras” para garantir mudança

Uma escola pública de ensino fundamental de Washington, capital dos Estados Unidos, adotou o livro infantil “Anti-racism Fight Club – Fistbook for Kids”” que, em tradução livre significa “Clube da Luta Anti-racismo”. A expressão “fistbook”, que seria literalmente “livro de punho”, faz alusão ao punho cerrado comumente usando em manifestações.

Nele, crianças a partir de 4 anos de idade são levadas, entre outras coisas, a responder questões como: “Onde você vê racismo em si mesmo? Isso requer um verdadeiro exame de consciência. Seja real consigo mesmo, não sinta culpa/vergonha e assuma isso. É o primeiro passo para se tornar um anti-racista”.

Ativismo para crianças de 4 anos de idade: questões de consciência complexas na escola

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Questões desse tipo consideram, intrinsicamente, que crianças tão pequenas já têm dentro de si pensamentos e conceitos racistas, ainda que, provavelmente, nem saibam o que isso significa. Ninguém busca algo que não existe, logo, o questionamento pode induzir a criança ao “dever” de confessar, sem sentir culpa ou vergonha, um erro que supostamente traz dentro de si. Além de já colocar sobre elas a função de serem militantes.

Logo na capa, o livro traz a frase: “It’s a Fight Club. We don’t do ‘handbooks’”, ou seja, “É um Clube de Luta. Não fazemos Manuais” e traz afirmações como: “brancos fazem parte de uma sociedade que os beneficia” e “se você é uma pessoa branca, privilégio branco é algo com o qual você nasceu”.

Esse tipo de afirmação já começa a implantar na cabeça das crianças uma divisão que, para elas, nem sequer existe. Crianças não nascem racistas, mas aprendem a sê-lo com adultos racistas, ou seja, pessoas que fazem divisão entre pessoas com base na cor da pele. Reforçar que essa divisão existe pode acabar produzindo exatamente o efeito contrário, pois crianças não tratam outras crianças de forma diferente porque não têm o mesmo tom de pele. Elas se veem apenas como crianças e não pessoas brancas ou pessoas negras, com mais ou menos privilégios.

O livro também afirma que o anti-racismo “não é um esporte para espectadores”, e incentiva a criança a ser “barulhenta, desconfortável, confrontadora e visível para garantir que a mudança seja feita”.

O capítulo intitulado "Como lidar com o racismo de entes queridos" afirma que "só porque alguém é mais velho do que você não significa que esteja certo o tempo todo" e induz as crianças a indicarem familiares que tenham comportamentos que o livro classifica como racistas: "Quem na sua família tem crenças racistas? Você acha que pode mudar o jeito deles? Qual é a sua estratégia para lidar com eles?"

Não vou nem entrar no mérito do que a escola fará com tais informações, mas fico imaginando como fica a cabeça de uma criança de 4 anos, cujo caráter e valores estão em pleno desenvolvimento, aprendendo que seus familiares não estão certos o tempo todo (ao passo que a escola, sim) e que cabe a ela denunciar e “ter estratégia” para lidar com eles.

Essa criança confiaria em seus pais ao vê-los como pessoas que precisam mudar porque podem estar erradas? Obviamente não me refiro a questões verdadeiramente racistas, mas sim, ao fato de que ensinamentos desse tipo podem afastar as crianças de suas famílias, a quem cabe, verdadeiramente, o ensino de conceitos e valores.

O fato é que a inocência tem sido roubada das crianças cada vez mais cedo por doutrinações travestidas de “discursos do bem”. Mais do que nunca, os pais devem estar atentos ao que seus filhos aprendem na escola, pois essas “novas disciplinas” estão dando à escola uma autoridade que não cabe a ela.

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