Patricia Lages Análise: Tudo virou política e nós somos apenas marionetes

Análise: Tudo virou política e nós somos apenas marionetes

Imposição para tomar vacina que não existe, defensor de isolamento recebe amante, aglomeração para uns, festa para outros. Onde vamos parar?

  • Patricia Lages | Patrícia Lages, do R7

Marionete na mão dos políticos

Marionete na mão dos políticos

Pixabay

Sem sombra de dúvida 2020 tem sido um ano para lá de difícil. E uma das coisas mais difíceis é encontrar bom senso e coerência nas medidas de combate ao vírus chinês.

Você sai de casa e vai para o ponto de ônibus, onde deve manter uma “distância segura” das demais pessoas. Mas, a partir do momento que entra no coletivo, pode ficar à vontade para sentar ao lado de qualquer um, isso se houver lugar. Caso contrário, pode ir em pé mesmo, segurando nos locais onde centenas de pessoas já colocaram as mãos e pode viajar tranquilamente bem colado aos outros passageiros. Isso porque, “como medida de segurança”, o número de ônibus em circulação diminuiu e o transporte público está tão ou mais cheio do que antes da pandemia. No ponto de ônibus, ao ar livre, você deve se proteger, mas dentro do ônibus, vale tudo.

Porém, em vez de resolverem as aglomerações nos transportes coletivos – coisa que nenhuma cidade brasileira fez – as discussões estão voltadas para a obrigatoriedade de tomar uma vacina que nem sequer existe. Isso faz sentido para você?

Mas tem mais: você está liberado a desfrutar de um parque público ou playground por apenas uma hora por dia, pois o biólogo do Apocalipse determinou que esse é o “tempo seguro”, afinal, até presidiário tem direito a banho de sol, não é mesmo? Se bem que muito bandido foi solto para ficar preso em casa e é claro que eles estão obedecendo essa ordem à risca. Ou será que não?

O profeta apocalíptico também decretou que é mais seguro viajar de avião, ir ao cinema ou a um casamento do que participar de um “serviço religioso com mais de 500 pessoas”. Engraçado... em um avião, onde se senta – cotovelo com cotovelo – ao lado de alguém que pode ter vindo de qualquer parte do mundo e onde dezenas (às vezes centenas) de pessoas usam o mesmo banheiro minúsculo, é mais seguro do que ir a uma igreja, onde é obrigatório o distanciamento dos assentos e que, na maioria dos estados, opera com a capacidade bastante reduzida.

E o que dizer de Neil Ferguson, o epidemiologista e maior defensor do isolamento absoluto, que se demitiu do comitê de assessoria ao governo britânico quando foi pego recebendo a amante em casa? Ela se defendeu dizendo que tem um “casamento aberto” no qual o marido e os filhos sabem do amante. Tentando entender a explicação, concluo que, se não é segredo, o vírus respeita. Deve ser isso. Diante disso, o fato de atravessar Londres em plena quarentena severa para encontrar com o propagador-mor do #stayhome se torna algo totalmente irrelevante. Bola para frente! Ou bola fora?

É que entre outras previsões que não se confirmaram, Ferguson estimou que haveria mais de um milhão de casos de covid-19 na Suécia, onde o trancamento que ele queria impor ao mundo não foi adotado. Porém, até o momento, foram registrados 167 mil casos com cerca de 6 mil mortes. Por conta disso, o epidemiologista fez mea-culpa e confessou ter usado um “modelo matemático equivocado”. E, para adequar o discurso, deu uma afrouxada na pregação do isolamento absoluto, afinal, depois de ter sido pego fazendo o que dizia que ninguém podia fazer a coisa ficou um pouco esquisita...

Para fechar, vamos de aglomeração que virou festa? Se você assistiu a cobertura “jornalística” onde o repórter quase usou aquela palavra que começa com aglom..., mas só pode ser empregada quando se juntam pessoas que militam pela direita, já sabe do que estou falando. Teve gente que riu, mas no meu caso, nem graça consegui ver.

O maior problema dessa fase triste que estamos passando é o risco de não ser apenas uma fase passageira. A expressão “novo normal” já dá indícios de que esse manda e desmanda, abre e fecha, prende e solta pode durar por um longo tempo e isso tem muito mais a ver com política do que com ciência.

No meio disso estamos nós, as marionetes do sistema, tendo que obedecer cada hora a uma ordem diferente, o que me remete a uma passagem histórica, ocorrida em Éfeso, antiga cidade grega, registrada no livro dos Atos dos Apóstolos: “A assembleia estava em confusão: uns gritavam uma coisa, outros gritavam outra. A maior parte do povo nem sabia por que estava ali.” Bem atual, não?

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