Análise: Tudo que é grátis custa caro

Estado não tem como oferecer o que quer que seja gratuitamente. Tudo o que é dado para uns é tirado de todos, inclusive de quem recebe

Alguém está pagando pelo que é dado de graça

Alguém está pagando pelo que é dado de graça

Marcos Santos/USP Imagens

Ainda que seja óbvio é sempre bom lembrar: o governo não produz nada e não gera riqueza alguma. Portanto, todo o dinheiro que os governos – municipal, estadual e federal – administram (mal, por sinal) vem de apenas três fontes:

1. Do bolso de todos os cidadãos por meio de impostos, inclusive os que incidem sobre produtos, pois este país taxa tanto a renda quanto o consumo;

2. Contraindo dívidas, que também serão pagas pelos cidadãos por meio da criação de mais impostos;

3. Imprimindo dinheiro, que mais uma vez vai apertar o bolso dos cidadãos por conta da inflação (uma consequência invariável) que, por sua vez, pesa muito mais no bolso dos mais pobres.

Parece muito justo que se tire 10 de quem tem para dar 10 a quem não tem, mas os cálculos para se gerar um novo imposto (e cobrir os rombos nas contas mal administradas dos governos) consideram gastos que vão muito além de tirar 10 de uns para dar os mesmos 10 a outros.

No meio do caminho boa parte desses 10 se perdem em infinitas burocracias (com sistemas que quase nunca funcionam a contento e com a contratação de um sem-fim de funcionários públicos para fazer as coisas acontecerem) e em uma administração perdulária que promove verdadeiras farras com nosso dinheiro. Aqui vão alguns fatos que exemplificam bem para onde vai boa parte dos impostos que todos pagamos:

“Bacalhau na brasa, picanha, tambaqui: banquetes de Renan [Calheiros, relator da CPI da Covid] custam até R$ 911”

“Judiciário e Ministério Público do RS criam auxílio-saúde que pode chegar a R$ 3,5 mil”

“Municípios e Estados dão aumento ilegal para funcionalismo em meio à pandemia”

“Lira aumenta em 171% o valor de reembolso dos deputados em gastos com saúde”

Portanto, para que 10 cheguem ao bolso de quem não tem, muito mais do que 10 sairão dos bolsos de todos. Sem mencionar o fato de que muitos dos que realmente precisam jamais verão nem mesmo uma fração dos tais 10.

Tirar de quem tem para dar a quem não tem contando com um governo ineficiente para fazer isso é uma péssima ideia, pois uma parcela enorme do que todos nós pagamos em impostos se perde no meio do caminho, tanto com incompetência quanto com gastos nababescos por parte daqueles que deveriam servir o povo, mas só pensam em se servir dele.

Sendo assim, só nos resta arcar com a nova alta do IOF, fazendo votos de que o Bolsa Família chegue realmente aos mais necessitados, afinal de contas, eles também terão de pagar por aquilo que acreditam estar recebendo de graça.

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