Patricia Lages Análise: Tomar os frutos que não plantou é roubo

Análise: Tomar os frutos que não plantou é roubo

Travestida de “justiça social” cresce a ideia de que toda colheita deve ser repartida com quem jamais plantou uma semente sequer

Jeff Bezos, criador da Amazon

Jeff Bezos, criador da Amazon

Joshua Roberts - 13.09.2018/Reuters

O imediatismo aliado a conceitos e ideias que tentam a todo custo incutir na cabeça das pessoas que elas merecem ser poupadas de todo e qualquer problema, adversidade ou sacrifício, ser bem-sucedido se tornou algo mais fácil. Não para quem quer cortar caminho e subir na vida de elevador, mas sim, porque há muito menos concorrência na escada que leva ao sucesso.

Onde impera a lei do mínimo esforço, sempre há uma justificativa que transfere a culpa para um terceiro: “não faço nada além da minha obrigação, pois a empresa não reconhece meus esforços”, “vou entregar o trabalho de qualquer jeito porque esse professor é muito chato”, e por aí vai. A maioria tem preferido construir sobre a areia, afinal, é mais rápido, muito mais barato e evita a trabalheira de cavar na rocha e lançar alicerces.

Soma-se a isso conceitos socialistas que vitimizam uns e demonizam outros, tentando transformar a inveja em virtude e a apropriação em direito. Esta última, aliás, é apenas um nome mais bonito para um ato muito feio: roubo.

A divulgação dos resultados da Amazon em 2020, com aumento de mais de 37% nas vendas alcançando US$ 386 bilhões, aqueceu o debate sobre como pode uma empresa lucrar tanto assim em um ano onde a maioria estava na pior. Ou como afirmou o comentarista da Jovem Pan, Joel Pinheiro da Fonseca: “Isso não está certo, isso tem que ser mais repartido.” Mas a pergunta é: o que significa “ser mais repartido”?

Será que Jeff Bezos – que criou uma empresa do nada, que montou um escritório em uma garagem com dinheiro emprestado de parentes, que quase faliu vinte anos atrás, mas trabalhou incessantemente por 27 anos até oferecer um modelo de negócio aceito e utilizado livremente por milhões de pessoas ao redor do mundo – teria agora que “repartir” sua colheita com quem nunca plantou nada?

A questão é que o sucesso leva tempo e requer muito sacrifício. E por mais que se diga que “os tempos são outros”, existe uma verdade na qual não cabe nenhum relativismo: só se colhe o que se planta. Mas na contramão da ordem natural das coisas vem sendo implantada a ideia de que a colheita dos outros tem de ser “repartida” e que isso é uma virtude, isso é “justiça social”.

O que se vê são cada vez menos pessoas dispostas a plantar, a pagar o preço e administrar os resultados, quaisquer que sejam eles. A maioria só quer ter o que os outros têm sem ter de fazer o que fizeram. Mas a luz no fim do túnel é que, enquanto a maioria faz o mínimo, quem se dispõe a fazer um pouquinho a mais já se destaca.

Autora
Patricia Lages é autora de 5 best-sellers sobre finanças pessoais e empreendedorismo e do blog Bolsa Blindada. É palestrante internacional e comentarista do JR Dinheiro, no Jornal da Record.

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