Patricia Lages Análise: Tendo eleição ou não, Brasil gasta R$ 27 milhões por dia com Justiça Eleitoral

Análise: Tendo eleição ou não, Brasil gasta R$ 27 milhões por dia com Justiça Eleitoral

Qual país pode se dar ao luxo de gastar quase R$ 10 bilhões por ano com eleições mesmo quando não há eleições?

Dos mais de R$ 9,8 bilhões gastos anualmente com a Justiça Eleitoral, havendo eleição ou não, boa parte é destinada ao pagamento de altos salários que se tornam ainda maiores por causa de uma diversidade de penduricalhos.

Na página de Remunerações e Benefícios, disponível no site do TSE, há uma lista de cargos e salários de 981 servidores ativos, 279 servidores inativos e pensionistas, e 28 autoridades, entre ministros, procuradores e juízes.

A página não fornece a somatória dos salários, mas qualquer cidadão pode fazer o que eu fiz: entrar na página https://www.tse.jus.br/transparencia-e-prestacao-de-contas/pessoal/remuneracoes-e-beneficios/remuneracoes-e-beneficios, copiar os dados para uma planilha simples de Excel, por exemplo, e fazer a soma. Mas, para que ninguém se perca em meio a tantos dígitos, vamos aos resultados por partes:

A soma dos salários pagos aos 981 servidores ativos em abril de 2022 foi de R$ 16.919.459,22. Já os gastos para bancar os 279 inativos e pensionistas somaram R$ 5.073.555,27 — com valores que vão desde R$ 3.082,89 até R$ 36.733,23. Por fim, os gastos com as autoridades pagos pelo TSE foram de R$ 120.038,30, o que não inclui as remunerações de seus órgãos de origem (que são mais R$  888.223,25) e as despesas com diárias (que somam R$ 57.870,68).

Ou seja, o valor gasto somente com esses 1.288 servidores no mês de abril (não incluindo os salários e pensões de funcionários com cargos menores) foi de R$ 22.113.052,79, o que resulta em uma média salarial de R$ 17.168,52. São quase sete vezes mais do que a média salarial no Brasil, que, segundo o IBGE, é de R$ 2.489,00.

Prédio do Tribunal Superior Eleitoral: altos salários somados a 'vantagens, auxílios e benefícios'

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Para se ter uma ideia, um analista judiciário da Assessoria do Centro Cultural da Justiça Eleitoral — cujo detalhamento da folha de pagamento está disponível no site do TSE — recebeu R$ 25.972,31 referentes a “vencimentos e vantagens”, mais uma gratificação de R$ 7.398,87, outros R$ 910,08 em “auxílios e benefícios” e R$ 2.665 em “horas extras”. Com todos os penduricalhos, o recebimento bruto desse único servidor, em abril, foi de R$ 36.946,26.

Todo santo dia, chova ou faça sol, tenha ou não tenha eleição, são gastos R$ 27 milhões, principalmente para bancar altos salários somados a “vantagens, auxílios e benefícios”. Tudo pago com dinheiro do contribuinte, que, quando precisa de qualquer coisa vinda do governo, sabe bem que não terá grandes “auxílios”, nem mesmo o mínimo de “benefícios”. E a pergunta que fica é: qual é a “vantagem” de quem paga toda essa conta?

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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