Análise: Tempos difíceis fazem pessoas fortes

O provérbio diz que pessoas fortes criam tempos fáceis e tempos fáceis geram pessoas fracas, mas pessoas fracas geram tempos difíceis. Em que fase da história estamos?

São as dificuldades que forjam pessoas fortes

São as dificuldades que forjam pessoas fortes

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Ao longo de toda a história, por mais que o mundo estivesse passando por altos e baixos, tempos fáceis ou difíceis, sempre tivemos pessoas fortes e pessoas fracas. A lição que tiramos do provérbio é que as facilidades realmente geram pessoas frágeis e que são as dificuldades que forjam pessoas fortes e mais bem preparadas para encarar a vida.

Prova disso são os desentendimentos em família por conta de uma herança. Não é preciso que o valor dos bens partilhados seja alto para que irmão se volte contra irmão, filho contra pai, filha contra mãe. O dinheiro tem esse poder de revelar o caráter das pessoas, ainda que elas não tenham feito o menor esforço para construir coisa alguma. É como diziam os antigos: o morto nem esfriou no caixão e as brigas já esquentam o clima.

O que hoje se vê é um grupo crescente de pessoas que agem como se fossem herdeiras do mundo. Ao mesmo tempo que se vitimizam por tudo e qualquer coisa, brigam, gritam e exigem que alguém entregue a parte que lhes cabe de mão beijada.

Quantos não são os que acham que para os outros as coisas são sempre mais fáceis e que se alguém subiu na vida é porque teve condições, oportunidades e a ajuda que elas nunca tiveram. Vivem querendo que aquilo que julgam ser uma injustiça venha ser reparado e que elas, as vítimas, sejam indenizadas por todo mal que o mundo que lhes fez. Vivemos na era da emoção, onde a razão ficou em segundo ou até terceiro plano. Uma época em que muitos acreditam que devem fazer tudo o que o coração sente, sem se preocuparem com certo ou errado.

Algumas semanas atrás seria inimaginável que um dia veríamos países da Europa, considerada o berço de toda sabedoria e tradição, repleto de pessoas que, diante de um surto de gripe, esgotaram os estoques de papel higiênico... O pânico é um sentimento e quem age movido pelos sentimentos tende a fazer coisas tão estúpidas quanto essa.

As emoções neutralizam a razão e os resultados de quem vive pelo que sente não são os melhores. Ninguém quer sentir desconforto ou dor, mas essas são dificuldades que deveriam ser até mesmo desejadas.

Lembro-me de uma mãe que levou o filho ao pediatra, pois o menino reclamava de dores por todo o corpo. Pernas, costas, braços, tudo doía, mas não existia nenhum motivo aparente. Depois de uma bateria de exames o médico deu o veredito: “Mãe, não se preocupe com o que seu filho está sentindo, ele está apenas crescendo e crescer dói.”

Que nesses dias de isolamento possamos refletir sobre o que estamos fazendo com a nossa vida e que venhamos aprender – usando a razão – de que é preciso enfrentar dores para sermos pessoas melhores.

Patricia Lages

É jornalista internacional, tendo atuado na Argentina, Inglaterra e Israel. É autora de cinco best-sellers de finanças e empreendedorismo e do blog Bolsa Blindada. Ministra cursos e palestras, tendo se apresentado no evento “Success, the only choice” na Universidade Harvard (2014). Na TV, apresenta o quadro "Economia a Dois" na Escola do Amor, Record TV. No YouTube mantém o canal "Patricia Lages - Dicas de Economia", com vídeos todas as terças e quintas.