Patricia Lages Análise: sucesso é mostrar o óbvio da maneira mais simples possível

Análise: sucesso é mostrar o óbvio da maneira mais simples possível

Khaby Lame possui mais de 100 milhões de seguidores no TikTok e faz sucesso com vídeos demonstrando como fazer o óbvio

Khaby é sucesso no TikTok

Khaby é sucesso no TikTok

DIVULGAÇÃO/TIKTOK/KHABY LAME

Não é de hoje que notamos a necessidade de explicar coisas simples nos mínimos detalhes, talvez por conta de uma espécie de surto de falta de atenção ou da preguiça de pensar que assola muita gente. Mas parece que estamos indo mais além – ou seria aquém? – ao vermos praticamente todos os dias que um número enorme de pessoas perdeu a noção do óbvio.

Um prato cheio para Khabane Lame, ou simplesmente Khaby, um senegalês de 21 anos que vive na Itália e se tornou um fenômeno nas redes sociais. Em maio passado, pouco mais de um ano depois de ter ingressado no TikTok, o influenciador já possuía mais seguidores que o próprio aplicativo. Enquanto o perfil da plataforma era seguido por 53.6 milhões de pessoas, Khaby já beirava os 55 milhões. Hoje ele passa dos 100 milhões só nessa rede e ainda possui quase 46 milhões no Instagram.
 
Em um de seus vídeos mais vistos, com bilhões (sim, bilhões) de visualizações, o “tiktoker” exibe o tutorial de uma pessoa tirando a casca de uma banana com um cutelo e, em seguida, surge mostrando o óbvio: descascando com as mãos. Khaby finaliza todos os vídeos com o gesto que se tornou sua marca registrada: mostrando as palmas das mãos como se dissesse: “era só fazer isso”. Aliás, todo sucesso do influenciador se deve à demonstração do óbvio, uma vez que ele não diz uma palavra sequer.

Mas, deixando de lado a genialidade de Khaby Lame, que fez desse fenômeno uma excelente fonte de renda, a falta de noção do óbvio tem custado caro à sociedade como um todo. Tornou-se uma tarefa difícil explicar coisas tão simples a pessoas que parecem não ter referência alguma e que, na falta até mesmo de bom senso, acabam acreditando mais em fantasias do que na própria realidade.

Esta semana recebi o seguinte comentário de uma leitora do meu blog, em razão de um post sobre o poder da influência: “Hoje esse texto foi para mim. Muitas vezes aquela olhadinha no Instagram me deixa profundamente triste, me sinto inferior e fracassada, porque parece que todos têm uma vida tão feliz e próspera, mesmo sabendo que nem tudo é verdade. Estou cada vez menos perdendo o meu precioso tempo acessando as redes sociais.”

Onde fica a conclusão óbvia de que aquilo que não é verdade é mentira? E onde fica o bom senso de saber que não é sensato comparar a sua realidade com a fantasia dos outros? Parece que o mundo virtual – tão útil para uma infinidade de coisas – se torna algo altamente pernicioso quando as pessoas esquecem do que é real e se deixam levar pelo que veem numa tela. Felizmente a leitora está se abstendo do que lhe faz mal, mas nem todos estão sabendo escolher o caminho certo, ainda que seja óbvio.

Últimas

    http://meuestilo.r7.com/patricia-lages