Patricia Lages Análise: Ser mulher é uma ofensa no dicionário politicamente correto

Análise: Ser mulher é uma ofensa no dicionário politicamente correto

Esqueça a luta por empoderamento feminino, pois mulheres passaram a ser nada mais do que 'pessoas com vagina'

Tratar pessoas de igual para igual não tem nada a ver com demonizar palavras ou expressões

Tratar pessoas de igual para igual não tem nada a ver com demonizar palavras ou expressões

GEORGIOS KEFALAS/EFE - 21.9.2021

A gritaria de uma minoria barulhenta tem afastado o bom-senso daqueles que, para não serem incomodados, preferem acatar as sandices de quem parecer estar com muito tempo livre. Não é de hoje que a palavra “mulher” tem sido tratada como se fosse uma ofensa para o mundo fantástico do politicamente correto e, a partir daí, dá-se início a uma ridícula engenharia linguística para criar outros termos.

“Pessoas que menstruam”, “pessoas com vagina”, “pessoas que engravidam”, “pessoas que dão à luz”. Se essas não são demonstrações do que é imbecilidade na prática, não devemos esperar muito do futuro...

Respeitar a diversidade, ter empatia por pessoas que escolheram viver de forma diferente ao convencional e, de fato, tratá-las de igual para igual não tem nada a ver com demonizar palavras, termos ou expressões. Esse é apenas um exercício de controle da fala para, em seguida, colocar em prática um plano bem maior: controlar os pensamentos.

Se toda essa ginástica verbal fosse em prol da inclusão, que sentido haveria em excluir a mulher? Se fossem em nome da diversidade de gênero, por que justamente os gêneros mais comuns seriam exterminados? Nada disso faz sentido pelo simples fato que não há sentido algum. Estamos vivendo uma época onde não há como ficar mais claro que a palavra de ordem é controle, mas ainda assim há quem não tenha despertado para isso.

Em 2018, Meghan Murphy, editora do portal Feminist Current, o maior site feminista do Canadá, teve sua conta no Twitter bloqueada após ter postado a frase óbvia: “homens não são mulheres”. Em 2020, a escritora britânica J.K. Rowling, autora da série de livros Harry Potter, foi alvo de ataques depois de criticar um artigo que trocava a palavra mulheres por “pessoas que menstruam”. Ela foi acusada de “transfobia” pelo tweet: “’Pessoas que menstruam’. Tenho certeza de que havia uma palavra para essas pessoas. Me ajudem: ‘wumben’, ‘wimpund’, ‘woomud’?” Ironicamente Rowling não usou a palavra correta “woman”, para mulher.

A “justificativa” de censurar a palavra mulher não para em pé nem com muletas, pois, segundo grupos ativistas transexuais, “mulher é toda pessoa que se identifica como tal”. Ora, se é assim, por que não usar a palavra correta para quem nasce mulher e para quem se torna ou se sente? E mais: por que nem mesmo as mulheres podem usá-la?

O respeito à diversidade, a tolerância e a inclusão não são praticadas verdadeiramente apenas trocando uma palavra certa por uma errada. O significado dessa imbecilidade toda tem outro nome: controle.

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