Patricia Lages Análise: Senador petista quer intervir em prescrições médicas

Análise: Senador petista quer intervir em prescrições médicas

Humberto Costa quer investigar por que CFM deu autonomia a médicos para prescrevem tratamento precoce a seus pacientes

O senador Humberto Costa

O senador Humberto Costa

Geraldo Magela/09.10.2013/Agência Senado

Nossos políticos devem realmente achar que são os melhores do mundo, afinal, eles acreditam que sabem mais do que os próprios médicos quando o assunto é receitar tratamento para a Covid-19. O “Drácula” brasileiro – codinome do senador Humberto Costa (PT) na lista de propinas da Odebrecht – quer ampliar os poderes da CPI da Covid incluindo investigação contra o Conselho Federal de Medicina (CFM). O objetivo é apurar os motivos de o órgão ter permitido que médicos receitem os medicamentos que acharem apropriados para o tratamento da doença.

Para o petista, tal autonomia é “criminosa”. Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, Costa afirmou que o Conselho “respaldou essa coisa do kit do tratamento precoce, interveio para dizer que os médicos têm um poder de escolha na aplicação do medicamento, mas é um remédio que não tem serventia para uma determinada coisa”. O senador, que é médico, deveria ser o primeiro a assegurar que os profissionais de saúde trabalhassem com autonomia e não com uma faca na garganta colocada por questões puramente políticas.

Não sei você, mas eu não gostaria de ir a um médico que, temendo investigações, só receitasse tratamentos permitidos por uma CPI formada por políticos que, via de regra, não entendem nem mesmo quais são suas atribuições. Se soubessem para que foram eleitos, estariam trabalhando em prol da população em vez de se aproveitarem de seus cargos para encherem bolsos, malas, paredes falsas e cuecas com dinheiro de corrupção. Ou será que dizer que há um sem-fim de políticos brasileiros corruptos é mentira?

Para o presidente do CFM, Mauro Ribeiro, mentira mesmo é dizer que o tratamento precoce contra a Covid-19 não tem efeito. Ribeiro afirmou à Jovem Pan que o órgão não estimula e nem condena a prescrição de medicamentos como hidroxicloroquina e azitromicina, e ressaltou que cabe aos médicos e seus pacientes a decisão sobre como enfrentar o vírus.

A cada dia podemos atestar o quanto a pandemia está sendo tratada como uma questão política no Brasil e que nada tem a ver com ciência ou com a preocupação em salvar vidas. Só quem está sob o efeito da anestesia marqueteira é que ainda não entendeu os absurdos que estão sendo propostos dia após dia.

O que esses aproveitadores querem é o de sempre: ganhar capital político e, mais uma vez, tirar vantagens dos problemas que eles mesmos criam. As únicas vidas que eles querem salvar são as deles mesmos.

Autora

Patricia Lages é autora de 5 best-sellers sobre finanças pessoais e empreendedorismo e do blog Bolsa Blindada. É palestrante internacional e comentarista do JR Dinheiro, no Jornal da Record.

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