Patricia Lages Análise: Se a sociedade não está doente, nós estamos cegos

Análise: Se a sociedade não está doente, nós estamos cegos

O raciocínio tem sido cada vez mais ignorado, enquanto sentimentos e emoções dão vazão a comportamentos e crenças sem o menor cabimento

Único remédio para a sociedade chama-se raciocínio

Único remédio para a sociedade chama-se raciocínio

Pixabay

Aos poucos e de forma sorrateira, ideias absurdas começaram a ser incutidas na mente das pessoas, quase sempre travestidas de arte e cultura, onde, segundo dizem, há licença para tudo. O saldo dessa operação tem se mostrado o pior possível.

Crianças sendo privadas da infância – graças a uma cultura que enaltece a “adultização” – sem serem educadas por seus próprios pais e cada dia mais expostas a uma avalanche de ideologias que só fazem confundir. Em nome de uma suposta igualdade, elas não podem mais nem sequer ser chamadas de menino e menina. E, em nome de uma suposta liberdade, cada vez mais cedo devem definir – por conta própria – sua sexualidade dentre mais de setenta opções de “gênero”. 

Enquanto isso, adultos agem feito crianças: fogem de suas responsabilidades, compram o que não podem, arriscam a vida em comportamentos destrutivos e culpam terceiros por seus próprios fracassos. Filhos adultos, fortes e saudáveis que além de não abrirem mão de viver na dependência de pais idosos, ainda os fazem criar e sustentar os netos.

Mulheres cada vez mais endurecidas e homens cada vez mais perdidos. Elas mandam, lideram e se dizem empoderadas, enquanto eles calam, são passivos e se omitem por conveniência. Elas vivem ansiosas e frustradas, enquanto eles parecem estar anestesiados.

O casamento que dá origem à família, célula mater da sociedade, é considerado uma instituição falida, ultrapassada e sem valor, a não ser que seja entre pessoas do mesmo sexo. Nesse caso, ele é celebrado e incentivado. De onde vem essa diferença? Por que o que é bom para uns é ruim para outros?

A sociedade se acostumou tanto com a inversão de valores que não consegue mais perceber a diferença entre cuidado e controle, prevenção e medo, ciência e estupidez. A maior prova disso tem sido a submissão a imposições sem o menor cabimento. Nesta quarentena forçada, chegamos ao ponto de ver pessoas dirigindo, sozinhas em seus carros, mas usando uma máscara caseira, feita de um tecido qualquer, para se proteger de pessoas que nem estão ali. Onde o horário do comércio foi reduzido “para evitar aglomerações”, enquanto o horário das eleições foi ampliado exatamente com o mesmo propósito.

É totalmente aceito o distanciamento social nos pontos de ônibus, assim como também é aceitável sentar lado a lado com outros passageiros uma vez dentro do coletivo. Nos aviões não é diferente, pois há regras de distanciamento até mesmo no corredor da aeronave, mas uma vez sentados, o risco de adoecer desaparece e todos podem ficar bem juntinhos, como sempre foi.

Estamos sendo obrigados a agir feito idiotas, fingindo que somos inteligentes, e quem expõe essa situação ridícula é chamado de genocida, homicida, inseticida... mas a verdade é que quem não percebe que a sociedade está doente já perdeu sua visão crítica e o único remédio capaz de conter esse mal chama-se raciocínio. Quanto antes começarmos o tratamento, mais chances teremos de cura.

Autora

Patricia Lages é autora de 5 best-sellers sobre finanças pessoais e empreendedorismo e do blog Bolsa Blindada. É palestrante internacional e comentarista do JR Dinheiro, no Jornal da Record.

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