Análise: sai a infância, entra a militância

Contos de fada, desenhos animados, histórias em quadrinho e outros conteúdos infantis são os principais alvos da militância

Superman é bissexual e ativista ambiental e sua missão é promover “greve escolar pelo clima”. Seu namorado, um jornalista japonês, o acompanha na militância transmitindo a mesma mensagem, mas em sueco, em alusão às palavras ditas e repetidas pela adolescente Greta Thunberg (aquela que foi de veleiro para Nova York alegando que aeronaves poluem o ar, mas que enviou quatro pessoas de avião para levar a embarcação de volta).

O novo Super-Homem é Jon Kent, filho de Clark Kent e Lois Lane. Ao que tudo indica, ele usará seus músculos de aço para empunhar cartazes e, quem sabe, empregará sua visão de raio-x e sua superaudição para encontrar e punir qualquer um que se atreva a usar um canudo plástico. Mas é claro que para isso os autores jamais mencionarão que roupas, garrafas pet, sacolas de mercado, eletrônicos, um sem-fim de embalagens e praticamente todo tipo de objeto de que se tem notícia possui substâncias plásticas.

Para o ator americano Dean Cain, que interpretou o herói em “Lois e Clark — As Novas Aventuras do Superman”, a DC Comics está apenas aproveitando para “embarcar na onda” e que seria muito mais corajoso se o personagem lutasse pelos direitos dos gays no Irã onde, segundo o ator, “te jogam de um prédio pela ofensa de ser gay”. Mas quem liga para os gays do Irã? Nem mesmo Robin — da dupla com Batman e que também assumirá sua bissexualidade — está “preocupado” com o que acontece do outro lado do mundo. Lacrar no Ocidente é muito mais fácil, não é mesmo?

Contos de fadas ameaçados: militância passa por cima da fantasia

Contos de fadas ameaçados: militância passa por cima da fantasia

Jeff Porto/Divulgação

Até as princesas dos contos de fada estão sendo perseguidas para que suas histórias — escritas há mais de 200 anos — sejam alteradas. Afinal de contas, como pode um príncipe beijar a Branca de Neve e salvar sua vida sem sua permissão? É melhor deixá-la em coma por toda a eternidade ou, como sugere uma versão alemã (Schneeweibchen), que um dos servos do príncipe a deixe cair e, em consequência da queda brusca, ela vomite a maçã envenenada. Não é maravilhoso que ela seja salva por seu próprio vômito? Girl power!

Enquanto isso, a militância passa por cima do fato de que a fantasia faz parte do desenvolvimento saudável de qualquer criança e, em vez disso, põe seus interesses doutrinários e políticas ideológicas acima de qualquer coisa. E tudo isso sob o falso argumento de estar promovendo justiça social. Porém, se essa fosse sua preocupação legítima, a turma da lacração teria de lutar pelas mulheres do Afeganistão, bem como de diversos países do Oriente onde vivem debaixo de regimes altamente opressores. Mas isso seria muito trabalhoso. Então, é melhor continuar inventando problemas onde eles não existem.

Autora

Patricia Lages é autora de cinco best-sellers sobre finanças pessoais e empreendedorismo e do blog bolsablindada.com.br. É palestrante internacional e comentarista do JR Dinheiro, no Jornal da Record.

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