Patricia Lages Análise: Quando a população age como criança, toda a nação padece

Análise: Quando a população age como criança, toda a nação padece

Extinguir teto de gastos, distribuir promessas fantasiosas e viver de narrativas é a fórmula que conduz qualquer nação ao fracasso

Fique atento a políticos que fazem promessas inconsequentes

Fique atento a políticos que fazem promessas inconsequentes

Geralt/Pixabay

Que ninguém se engane: as bases fundamentais para administrar bem um país são exatamente as mesmas para administrar bem uma casa. Porém, quando se trata de promessas eleitoreiras, parte da população age como criança e cai na conversa de maus políticos que, entra ano, sai ano, repetem a mesma ladainha de que tudo pode ser resolvido facilmente com uma simples “canetada”.

Para uma analogia bem simples de como os maus políticos iludem o eleitor, vamos comparar pais “bonzinhos” com pais responsáveis. Os pais “bonzinhos” são aqueles que fazem tudo o que a criança deseja e falam tudo o que ela quer ouvir: deixam tomar sorvete no café da manhã, armam barraco na escola para o filho trocar o uniforme pela fantasia de super-herói e não se importam que passe a noite toda jogando video game. Seu “reizinho” não pode ser repreendido. Ele é apenas uma vítima frágil que precisa do papai para protegê-lo contra todos os males do mundo.

Já os pais responsáveis são aqueles que oferecem os alimentos de que a criança precisa, que exigem que o filho cumpra suas tarefas escolares e siga regras e que promovem uma rotina saudável dentro de casa. Eles repreendem sempre que necessário e sabem que dizer não faz parte da boa educação. Pais responsáveis criam filhos independentes, e permitem que enfrentem seus dilemas e resolvam os próprios problemas. Eles não veem seus filhos como vítimas, mas, sim, como pessoas comuns capazes de lidar com situações comuns.

Enquanto os primeiros são os pais “superlegais” que toda criança sonha ter (mas que a levarão a um futuro nada promissor), os segundos são os pais “chatos” que podem até ser odiados em determinados momentos, mas oferecem à criança aquilo de que ela precisa para ser uma pessoa de bem.

Os pais “bonzinhos”, assim como os políticos populistas, vivem de promessas permissivas e fantasiosas para encobrir suas negligências, enquanto os pais responsáveis, assim como os políticos responsáveis, fazem valer sua autoridade e não precisam recorrer a esquemas.

Os pais “bonzinhos” nunca dizem não aos filhos e, quando o orçamento familiar não permite dar o que querem, passam o cartão como se a fatura nunca fosse chegar. Da mesma forma, os políticos populistas dizem que, quando falta dinheiro, é só imprimir mais e tudo será resolvido. Mas, tão certo quanto a fatura do cartão chegará, a conta da irresponsabilidade também; afinal de contas, a causa da inflação é uma só: expansão monetária. Inflação não é aumento de preços, isso é apenas uma consequência. Pode dar um Google para conferir.

Portanto, político que promete extinguir teto de gastos é tão irresponsável quanto o pai “bonzinho” que não liga para o futuro do próprio filho. Político que promete baixar o preço dos combustíveis (estabelecido por uma empresa que tenta se recuperar de um assalto cinematográfico que ele mesmo protagonizou) é tão desmiolado quanto o pai “bonzinho” que ilude o filho com todas as mentiras que ele quer ouvir.

Mas, diferentemente de não podermos escolher quem serão nossos pais, poderemos escolher quem serão nossos políticos. E, diferentemente do pensamento fantasioso de criança, precisamos ser maduros e racionais para não comprometermos o nosso futuro, bem como o da nação toda.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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