Patricia Lages Análise: Propaganda com dinheiro do contribuinte é a alma da eleição

Análise: Propaganda com dinheiro do contribuinte é a alma da eleição

Doria gasta mais do que o dobro em publicidade em SP, ultrapassa o orçamento previsto e conduz pré-campanha a todo vapor

Políticos gastam dinheiro público com propaganda

Políticos gastam dinheiro público com propaganda

Thinkstock

Segundo dados da Secretaria Estadual da Fazenda, o governo de São Paulo gastou, apenas em 2021, mais de R$ 190 milhões com publicidade para divulgar suas ações. Esse valor ultrapassa os R$ 153 milhões previstos no orçamento e é mais do que o dobro dos R$ 90 milhões gastos em 2020.

O detalhe fica por conta de que nesse montante não estão incluídas as despesas com propaganda de utilidade pública, como as campanhas de vacinação, por exemplo.

Em setembro, por meio de uma ação popular movida no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) pelo deputado estadual Danilo Balas (PSL), o governo Doria suspendeu contratos de publicidade com três grandes agências de propaganda. De acordo com Balas, os altos gastos feriam os princípios da moralidade, da razoabilidade e da eficiência da administração pública.

O deputado também é autor de um pedido de abertura de CPI para investigar os contratos de publicidade do governo estadual. No início de outubro, foi recolhido o número necessário de assinaturas para protocolar o pedido.

O governador marqueteiro não brinca em serviço quando o assunto é divulgar a si mesmo, estampando uma capa de revista atrás da outra, sendo amplamente elogiado por tudo e por nada, tomando para si os louros de ações não executadas por seu governo, estourando o orçamento e mais que dobrando as despesas em plena pré-campanha para 2022.

Se ele foi capaz de gastar tudo isso, em plena pandemia, mesmo sem saber se será candidato a presidência pelo PSDB, quanto mais estará disposto a gastar do dinheiro do contribuinte paulista caso seja oficializado como candidato? Quanto dinheiro ainda sairá dos cofres públicos para que o gestor compre mais e mais fichas, apostando tudo e mais um pouco para tentar se sentar na cadeira com a qual vem sonhando há anos? Quanto mais pagará para criar um novo slogan, já que “BolsoDoria” não dá mais para usar e se mostrar como o candidato da “Terceira Via” não engana nem criança de colo?

Vejamos o desenrolar dessa história, pois esse é um assunto que precisa ser devidamente investigado e esclarecido.

Autora

Patricia Lages é autora de cinco best-sellers sobre finanças pessoais e empreendedorismo e do blog Bolsa Blindada. É palestrante internacional e comentarista do JR Dinheiro, no Jornal da Record.

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