Patricia Lages Análise: Professores proibidos de ensinar, alunos proibidos de pensar

Análise: Professores proibidos de ensinar, alunos proibidos de pensar

Como o politicamente correto tem implantado o 'coitadismo' nas escolas sob o pretexto de banir o 'preconceito linguístico'

Para quem ainda não entendeu o motivo de estarmos vivendo em um momento em que tudo se tornou preconceito e novas regras são ditadas por uma minoria barulhenta, aqui vai uma pequena explicação sobre o objetivo disso tudo.

Não, o objetivo não é banir preconceito algum, mas, sim, controlar a fala para controlar o pensamento. Os professores estão sendo proibidos de ensinar sob a alegação de que nossa língua — com suas normas cultas “difíceis” — é preconceituosa e que os menos cultos devem ser “incluídos” por meio da aceitação de suas formas erradas de falar e de escrever.

Com isso, um professor não pode — isso mesmo, não pode — corrigir um aluno que escreve ou fala errado. Essa justificativa de banimento do preconceito é tão fraca que não resiste a uma simples pergunta: alunos não estão na escola justamente para aprender a falar e escrever corretamente e, assim, serem inseridos em qualquer conversa, por mais elaborada que seja, de igual para igual?

Língua com normas cultas difíceis: professores não podem corrigir os alunos

Língua com normas cultas difíceis: professores não podem corrigir os alunos

Reprodução / Pixabay

O que está acontecendo, mais uma vez, é a introdução do “coitadismo” e do “vitimismo”, que, ao mesmo tempo que dizem defender as pessoas de preconceitos imaginários, expressam abertamente que elas não são — nem serão — capazes de aprender. E, em nome dessa estupidez, é preciso aceitar todo e qualquer “a gente vamos” sem ser “preconceituoso”. Ao professor cabe apenas a tarefa de dizer que há ”outro jeito” de falar, que poderia ser “nós vamos”, porém a forma que o aluno escolher para se comunicar sempre será considerada correta.

Ao não aprender as formas corretas de falar e escrever, esse aluno igualmente não aprende a interpretar textos. Ele passará anos e anos em uma escola que não ensina nada e sairá dela sem a capacidade de entender qualquer leitura mais elaborada, o que inclui a inabilidade de interpretar um contrato, por exemplo.

E aí é que vem o grande objetivo de tudo isso: ao não saber sequer interpretar um raciocínio mais elaborado, o aluno não aprende a desenvolver um pensamento mais elaborado, o que amplia ainda mais a desigualdade social. Esses alunos que têm jogado o Brasil nas piores posições do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) têm se tornado massa de manobra extremamente fácil de ser conduzida. Um plano e tanto que, infelizmente, tem dado certo.

Autora

Patricia Lages é autora de cinco best-sellers sobre finanças pessoais e empreendedorismo e do blog bolsablindada.com.br. É palestrante internacional e comentarista do JR Dinheiro, no Jornal da Record.

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