Patricia Lages Análise: Professora incentiva alunos a fazerem “nudes”e enfrentarem pai e mãe  

Análise: Professora incentiva alunos a fazerem “nudes”e enfrentarem pai e mãe  

Usando exemplo de prostituta cadeirante, professora de SC incentiva alunos a fazerem fotos de nudez e a não estudarem “po*** nenhuma”   

“Tu não quer fazer o nudes, mas tu ia ficar lindo”, incentiva a professora a um aluno que diz não querer postar “selfies” sensuais ou de nudez. O assunto surgiu em uma aula de Sociologia, onde a docente usou sua audiência cativa – afinal, estudantes não podem abandonar aulas – para estimular os alunos a não terem “vergonha de enfrentar pai e mãe” e, entre outras coisas, fazerem o que quiserem, inclusive, “não estudar po*** nenhuma”.

O caso aconteceu na Escola Estadual de Educação Básica Wanderley Junior, no município de São José (SC). A professora, supostamente ensinando o conceito de etnocentrismo – tendência de observar o mundo desde a perspectiva da cultura a qual se pertence – trouxe à sala de aula o caso de uma prostituta cadeirante que postou “nudes” em suas redes sociais, mas recebeu um comentário pejorativo.

Professores utilizam a audiência cativa para impor seus próprios valores morais

Professores utilizam a audiência cativa para impor seus próprios valores morais

Thinkstock

Uma das alunas usou o próprio celular para gravar a aula e o áudio de doze minutos serviu como base para uma denúncia encaminhada à Secretaria de Educação de Santa Catarina pela deputada estadual Ana Campagnolo (PL/SC). Seguem alguns trechos da fala da professora:

“Aí, ela [a prostituta cadeirante] postou a foto lá, do ‘nudes’ e o cara, filho da pu**, desculpa, tá? Eu tenho que falar. O cara vai lá e posta lá, e diz assim: ‘você é uma pu** aleijada’. Aí, assim, ó: a princípio ela disse que ficou muito mal porque ela tava fazendo um negócio pra ela, pra ela se sentir bem e que ela tava dando força pros outros também, dizendo que ela pode fazer tudo. Que ela pode namorar, que ela pode fazer nudes, que ela pode transar, que ela pode tudo! E daí quando a gente vê uma pessoa dessa, a gente se sente mais corajoso. A gente diz: ‘pô, se ela pode, eu posso também”.

Nesse momento, um dos alunos exclama: “Eu não quero não!”, enquanto uma aluna diz: “Ainda bem, né professora?” Mas a docente prefere opinar dizendo ao adolescente que ele “ia ficar lindo”. Sem perder o raciocínio, ela continua:

“Se ela pode, numa cadeira de rodas, dançar, namorar, pintar, bordar, reclamar, xingar, nós também podemo! A gente não precisa ter vergonha de querer um parceiro do mesmo sexo. A gente não precisa ter vergonha de enfrentar pai e mãe se a gente quiser o que quiser. Vendo, a gente cria coragem pra qualquer coisa. Pra passar no vestibular, pra se não quiser estudar não estudar po*** nenhuma! Aí, quando ela postou aquele negócio, que ela viu ‘pu** aleijada’, ela disse assim: ‘vou responder esse cara!’ E ela foi lá e respondeu pra ele: ‘pu** pra mim é elogio, porque pra ser pu** tem que ter coragem’”.

Tomando a palavra, uma aluna questiona: “Professora, mas o que isso tem a ver com etnocentrismo?” A docente, parecendo meio perdida, responde com uma pergunta: “O que é que tem o quê?” A aluna repete o questionamento, mas novamente recebe outra pergunta: “Com etnocentrismo?” E, após uma pausa, ela responde à aluna: “É... porque o capacitismo é o preconceito contra o incapaz.”

Após a denúncia, a Secretaria da Educação abriu um processo administrativo para investigar a conduta da professora. A deputada Campagnolo disse em plenário que não se trata de um caso isolado, pois desde seu primeiro dia de mandato tem levado a público casos similares. “Esse é mais um momento em que o professor utiliza a audiência cativa para incutir nos alunos os seus próprios valores morais”.

A parlamentar também lembrou que o Brasil é signatário do Pacto de San José da Costa Rica, que prevê que os pais têm a primazia na escolha da educação moral e religiosa de seus filhos. O pacto é supraconstitucional, pois faz parte de normas internacionais que se sobrepõem às demais constituições.

Resta saber até quando os pais permanecerão inertes à militância que vem sendo implantada na mente de seus filhos, enquanto imaginam que a escola lhes dará ferramentas e subsídios para o aprimoramento de seus conhecimentos ou contribuirá para a ampliação de suas virtudes. A única virtude presente na aula em questão foi a coragem. No caso, a coragem de ser prostituta.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

Últimas

    http://meuestilo.r7.com/patricia-lages