Patricia Lages Análise: Povo contra Fiat; tribunal da internet bate o martelo

Análise: Povo contra Fiat; tribunal da internet bate o martelo

Demissão de Mauricio Souza por pressão da Fiat faz consumidores se voltarem contra a marca em lançamento virtual de novo modelo

  • Patricia Lages | Patricia Lages

Mauricio foi demitido por pressão de patrocinador

Mauricio foi demitido por pressão de patrocinador

Reprodução / Instagram

No dia 12 de outubro, o jogador de vôlei Mauricio Souza, do Minas Tênis, postou em seu Instagram a manchete: “Superman atual, filho de Clark Kent, assume ser bissexual”, com uma ilustração que exibia Jon Kent beijando um rapaz. Na legenda, o jogador escreveu: “Ah, é só um desenho, não é nada de mais. Vai nessa que vai ver onde vamos parar...”

Em nota oficial, a Fiat declarou “repúdio a toda e qualquer expressão de cunho homofóbico, considerando inaceitáveis as manifestações movidas por preconceito, ímpeto desrespeitoso ou excludente”. Na qualidade de patrocinadora máster, a montadora pressionou o Minas Tênis a rescindir o contrato com Souza e, apesar de o clube ter publicado nota em que afirma que “todos os atletas federados à agremiação têm liberdade de se expressar livremente em suas redes sociais”, demitiu o jogador logo depois.

A forma como o público encarou essa decisão pode ser vista de várias formas, e a mais imediata é que Souza, até então com cerca de 300 mil seguidores em seu perfil do Instagram, chegou em questão de poucas horas a 1 milhão. No momento em que preparo esta análise, a conta do jogador ultrapassa os 2,7 milhões de seguidores. As mensagens de apoio ao atleta começaram a surgir assim que a decisão do clube foi anunciada e, somente na publicação mais recente de Souza, uma foto da família no último domingo, o número de comentários ultrapassa os 78 mil.

Em contrapartida, o perfil da montadora na mesma plataforma — que conta com 717 mil seguidores — recebeu milhares de comentários negativos, como: “Fiat nunca mais”, com o maior número de curtidas; “Vão colher os frutos de terem demonstrado que não aceitam opiniões diferentes. Devemos lutar por um país democrático, onde opiniões divergentes devem ser respeitadas. Lamentável!”; e “Nunca mais compro Fiat. Todos devem ter direito à liberdade de expressão".

Igualmente, o lançamento do Fiat Pulse no YouTube gerou descontentamento na maioria das manifestações. Até o momento em que preparo este texto, foram 4,1 mil likes contra 48 mil dislikes. Entre os mais de 32 mil comentários, os mais curtidos e repetidos dizem: “Pelo Mauricio, pela família, pelo Brasil. Fiat nunca mais!”, além de exaltarem o direito à liberdade de expressão. Diversos internautas também mencionaram o desinteresse pelos carros da marca e alguns chegaram a chamar o Fiat Pulse de “RePulse”.

O patrulhamento da fala e a criminalização da opinião estão se tornando cada vez mais frequentes no Brasil, mas está claro que esse tipo de imposição não reflete a vontade da maioria. Resta saber se realmente vivemos em um país democrático, onde a vontade da maioria é devidamente respeitada.

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