Análise: Por que o brasileiro ama o estado?

Pesado, caro e ineficiente, o Estado cobra muito e oferece pouco, mesmo assim, o brasileiro espera dele solução para tudo

Brasileiro trabalha mais de 150 dias por ano apenas para pagar seus impostos

Brasileiro trabalha mais de 150 dias por ano apenas para pagar seus impostos

Pixabay

Talvez a Síndrome de Estocolmo explique os sentimentos do brasileiro para com o Estado. Afinal de contas, considerando os sintomas desse estágio psicológico – que se resume a sentir empatia, amor e amizade pelo opressor – a associação chega a ser inevitável.

Você já ouviu isso, mas vale lembrar: todos nós teremos que trabalhar mais 15 dias para que, juntando com tudo o que produzimos nesses primeiros cinco meses de 2021, possamos arcar com os tributos impostos pelo governo. Sim, todo brasileiro trabalha mais de 150 dias por ano apenas para pagar seus impostos.

Lembrar disso, por si só, já é suficiente para causar revolta, mas saber que grande parte desse montante é mal gasto e não nos traz um retorno equivalente é pior ainda. Além de financiarmos todos os serviços púbicos como educação, saúde, transporte, segurança e infraestrutura, quando necessitamos de atendimento de qualidade, precisamos pagar novamente por tudo isso para a iniciativa privada.

Para termos uma vaga ideia do que o Estado – aquele que o brasileiro tanto ama e quer que o regule e controle com um número de leis cada vez maior – faz com o dinheiro do contribuinte, saiba que, apenas com desperdícios, o Brasil gasta R$ 68 bilhões todos os anos. Essa cifra corresponde a quase 4% do PIB do país e é maior do que os gastos com a educação básica que, em 2020, teve R$ 42,8 bilhões de dotação, com R$ 32,5 bilhões em despesas pagas.

Todas as vezes que o brasileiro exige que o governo regule tudo e qualquer coisa, esquece que quem faz as leis são os mesmos políticos que odeiam. Aqueles que esbanjam dinheiro do contribuinte em seus próprios deleites, que mal distribuem as verbas públicas e que, na prática, mal sabem tapar buracos. São aqueles que privam a população de seus direitos básicos, mas que esperam para si homenagens e regalias.

Daqui duas semanas, quando o mês de maio terminar, que cada brasileiro se lembre de que todos os seus esforços serão destinados apenas para o cumprimento de seus “deveres”. E que cada um também se lembre de que os ganhos dos sete meses que estão por vir terão de ser suficientes para suprir todas as suas necessidades, pois não é o Estado quem vai supri-las. Que essas lembranças sirvam para que, definitivamente, o brasileiro entenda que, para um país mais justo, é preciso menos Estado e mais liberdade.

Autora

Patricia Lages é autora de 5 best-sellers sobre finanças pessoais e empreendedorismo e do blog Bolsa Blindada. É palestrante internacional e comentarista do JR Dinheiro, no Jornal da Record.

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