Patricia Lages Análise: Por que nossos políticos são como são? 

Análise: Por que nossos políticos são como são? 

Promessas para garantir votos, mas uma vez no poder, viram as costas ao povo. O que leva os políticos a agirem assim?

Desde o menor funcionário de uma repartição pública até o presidente do país, todas as pessoas que exercem cargos municipais, estaduais ou federais têm um título em comum: servidores públicos. Não importa o cargo, nem o salário, todos foram contratados ou eleitos para, acima de qualquer coisa, servir.

A recepcionista de um hospital público tem a obrigação de servir àqueles que passarem por seu balcão, sem ingerência sobre outros setores, mas o diretor da instituição tem o dever de servir a todos, tanto pacientes, como funcionários. Ou seja, quanto maior o cargo, maior a responsabilidade de servir. O problema é que, desde os menores até os maiores, muitos desses servidores se esquecem do objetivo principal de estarem ali e, em vez de servirem, querem ser servidos.

Só os servidores públicos mais nobres compreendem a sua missão: servir

Só os servidores públicos mais nobres compreendem a sua missão: servir

Pixabay

Não é à toa que, para um grupo seleto do funcionalismo público, existam tantos benefícios, regalias e salários muito mais altos do que na iniciativa privada. Quando se dá poder para as pessoas decidirem o que fazer com o dinheiro dos outros e estas se esquecem de sua missão de servir, elas usarão de sua autoridade para servirem a si próprias. E é isso o que tem acontecido há séculos neste país.

Desde que o “como posso ajudar?” foi substituído pelo “sabe com quem está falando?”, entramos em uma espiral decrescente que tem nos mantido na posição que estamos: trabalhando mais de 150 dias por ano apenas para financiar um sistema viciado que cobra muito e entrega pouco.

Mas, inexplicavelmente, o brasileiro tem nutrido a ideia equivocada de que a solução para todos os problemas do país está na criação de mais leis e uma maior intervenção do Estado. É, no mínimo curioso, que a população brasileira, sempre tratada como uma mera serviçal do Estado – seja pelo governo que for – queira dar mais poder ainda aos seus reais opressores.

Acreditar em um Estado caro, moroso e injusto é como acreditar em papai Noel ou coelho da Páscoa. Qualquer pessoa que pare por trinta segundos para comparar serviços privados com públicos vai se dar conta de que há uma defasagem muito grande entre um e outro. Pagamos por segurança, educação e saúde pública, mas na hora que precisamos desses serviços, temos de recorrer à iniciativa privada, pagando tudo novamente. Se é que podemos.

Para que haja uma mudança verdadeira, cada pessoa que exerce cargos públicos precisa assimilar de uma vez por todas que, seja qual for o título que tenha, sua função é uma só: servir. Porém, só os nobres são capazes de compreender essa missão e, no Brasil, a nobreza parece não estar em alta. Enquanto isso, nós aqui em baixo temos de compreender que esperar algo de quem não sabe servir é pura perda de tempo. Estamos por nossa conta e quanto mais cedo entendermos isso, mais chances de fazermos as coisas acontecerem teremos. Cobrar por uma mudança é nosso dever, mas esperarmos que isso aconteça da noite para o dia é ilusão.

Autora

Patricia Lages é autora de 5 best-sellers sobre finanças pessoais e empreendedorismo e do blog  https://bolsablindada.com.br/. É palestrante internacional e comentarista do JR Dinheiro, no Jornal da Record.

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