Análise: por que feministas ignoram o Talibã?

Antropóloga brasileira afirma que mulheres muçulmanas “não precisam ser salvas”, pois já têm uma agência que luta por elas

Homens do talibã nas ruas do Afeganistão

Homens do talibã nas ruas do Afeganistão

REUTERS/Stringer

Se alguém ainda não estava convencido de que os movimentos feministas selecionam muito bem quais mulheres vão defender, o silêncio sobre o retorno do Talibã ao poder no Afeganistão não deixa dúvidas.

Há algumas semanas, em entrevista ao UOL News, a antropóloga Francirosy Campos Barbosa, afirmou que “muçulmanas não precisam ser salvas”. Destacou também os comentários negativos que tem visto – o que classificou como “islamofobia” – e a “ignorância” sobre o fato de que essas mulheres já têm uma agência que luta por elas.

É curioso que quando uma atriz de Hollywood, ou mesmo celebridades brasileiras com contas bancárias abastadas o suficiente para lutarem por si próprias, sejam amplamente defendidas pelas mesmas feministas que estão caladas diante das atrocidades que o Talibã sempre impôs e já está impondo novamente às mulheres. Em vez disso, o movimento está relativizando os perigos do regime, dizendo – com base na promessa de um grupo terrorista – que agora tudo será diferente, pois “as mulheres poderão trabalhar”, como Barbosa fez questão de registrar na entrevista.

Chega a ser ridículo mencionar a permissão para o trabalho como se fosse uma anulação de todas as demais restrições a elas impostas. Não é nem mesmo razoável que o feminismo – sempre tão barulhento – fique em silêncio diante do fato de que, em Cabul, elas já estejam sendo obrigadas a usar burca, que as imagens publicitárias com mulheres já tenham sido destruídas, que não podem estudar e nem sair de casa sem a “escolta” de um homem.

O “meu corpo minhas regras” desapareceu diante do fato de o Talibã proibir as mulheres de pintarem as unhas, sob o risco de terem seus dedos amputados, e que não podem nem sequer serem vistas pela janela, que obrigatoriamente precisam ser pintadas isolando completamente o interior de suas casas. Enquanto absurdos como esse estão acontecendo em pleno século 21, as feministas decepcionam mais uma vez.

Essa é mais uma prova de que estamos diante de um movimento oportunista, que não está nem aí com os direitos das mulheres, mas que, em vez disso, atua como um braço da esquerda no mundo todo. Em lugar de representá-las, apenas as usam como massa de manobra para seus próprios interesses. Melhor seria se afirmassem que nenhuma mulher precisa ser salva. Pelo menos não por movimentos que só se aproveitam delas.

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