Patricia Lages Análise: Políticas de gênero prejudicam as mulheres

Análise: Políticas de gênero prejudicam as mulheres

O que parecem ser políticas inclusivas e igualitárias promove violência contra a mulher e desigualdade nos esportes

Política de gênero não se trata de liberdade

Política de gênero não se trata de liberdade

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Levantando a bandeira de banir o preconceito e criar uma sociedade mais justa para todos, as políticas de gênero têm avançado no Brasil. Porém, em países de primeiro mundo, como Suécia e Alemanha, onde várias delas já foram implantadas, as estatísticas mostram um efeito contrário, principalmente em detrimento da segurança e direito das mulheres.

Começando pelo esporte, desde 2015, quando o COI (Comitê Olímpico Internacional) passou a permitir atletas transexuais em competições femininas, é notória a desvantagem física das mulheres. Apesar de se reconhecerem mulheres, atletas trans são pessoas do sexo biológico masculino, portanto, têm capacidades pulmonar e cardíaca maiores do que as mulheres, mais força física, altura e impulsão. O COI regulamenta que, antes de serem aceitas em competições femininas, as atletas trans devem passar por um processo de redução de testosterona durante um ano, porém, o tratamento não elimina as vantagens que um corpo masculino tem em relação a um corpo feminino.

Países que implantaram políticas de gênero há vários anos apresentam números mais altos de violência contra a mulher, ao contrário do que se esperava. A Suécia, por exemplo, uma das nações com maior equidade de gênero, foi considerada a capital ocidental dos estupros. As estatísticas do Conselho Nacional Sueco de Crimes colocam o país no segundo lugar da lista global de registro de estupros, perdendo apenas para a Índia.

Coincidência ou não, a Suécia foi o primeiro país a implantar banheiros de gênero, ou seja, que podem ser utilizados simultaneamente por homens e mulheres, sejam cisgênero ou transgênero. Nas escolas suecas, a ideologia de gênero tomou a frente da educação sexual, a exemplo do que acontece na Alemanha. O documento Standards for Sexuality Education in Europe (Padrões para Educação Sexual na Europa), da OMS (Organização Mundial de Saúde), afirma que a educação dos pais no que se refere à sexualidade é “inadequada para a sociedade moderna”, ficando essa tarefa sob o dever do Estado.

Contrariando a ciência, a ideologia de gênero prega que ninguém nasce homem ou mulher, mas deve experimentar a sexualidade desde cedo e refletir sobre como se reconhece. O problema é que quem discorda é penalizado por força de lei. Na Alemanha, pais cujos filhos se recusaram a assistir aulas de “sexualidade” foram multados e presos. Para sociedades que se dizem democráticas, tirar a liberdade de pais por conta da livre escolha dos filhos não parece cabível.

O direito de o aluno não querer vivenciar as experiências impostas pela ideologia de gênero é suprimido e ele acaba sendo penalizado quando isso se torna uma tarefa do currículo escolar. O pai de uma aluna alemã, por exemplo, relatou que uma das tarefas de redação da filha era beijar vários meninos e meninas no fim de semana e fazer um relato por escrito do que sentiu em cada uma das experiências.

Chega a ser um escândalo ver como o Estado tem trabalhado coercitivamente para empurrar uma ideologia que, como o próprio nome diz, é ideia e não ciência. Seria isso tolerância, igualdade e respeito ao próximo? Se chamar uma menina de menina é impor a ela uma condição (que a própria biologia definiu), como classificar essa doutrinação de que ela não é nenhuma coisa nem outra? Cabe aos pais brasileiros resistirem à implantação de uma ideologia que os pressiona a entregar a educação de seus filhos a um Estado que, como todos nós bem sabemos, só busca os próprios interesses em detrimento da população. Não se trata de liberdade, equidade ou tolerância, mas sim, de um exercício cada vez maior de controle.

Autora

Patricia Lages é autora de 5 best-sellers sobre finanças pessoais e empreendedorismo e do blog Bolsa Blindada. É palestrante internacional e comentarista do JR Dinheiro, no Jornal da Record.

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