Patricia Lages Análise: Perda das virtudes virou coisa certa a fazer

Análise: Perda das virtudes virou coisa certa a fazer

Segundo Goebbels, ministro da propaganda de Hitler, uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade, e parece que o mesmo funciona em relação às virtudes

Discussões se intensificam nas redes

Discussões se intensificam nas redes

Pixabay

Quem já passou dos 30 anos de idade e tem boa memória sabe bem que a sociedade, em relação às virtudes, tem caminhado ladeira abaixo. Empatia, tolerância e respeito ao próximo não passam de palavras que sobem e descem frequentemente nos feeds das redes sociais, mas na prática, o que vemos é exatamente o contrário.

Pessoas se ofendem gratuitamente o tempo todo, são capazes de declarar ódio abertamente e sem o menor constrangimento, e não hesitam em passar quem quer que seja para trás para ter qualquer vantagem.

Não é à toa que temos visto o surgimento de termos como “ódio do bem”, “mentira branca”, “inveja santa”. Tem sido cada vez mais comum a “ginástica verbal” para tentar transformar coisas ruins em boas. Enquanto isso, as virtudes, ao longo do tempo, têm sido apresentadas como um mal negócio por meio de frases como:

“Bonzinho só se ferra.”

“Só os ‘espertos’ se saem bem.”

“Fui honesto, mas não ganhei nada com isso.”

Quantas vezes você repetiu frases assim sem perceber que afirmam a negatividade das virtudes enquanto exaltam o que não presta? Quando alguém diz que bonzinho só se ferra e os “espertos” é que se dão bem, está, ao mesmo tempo, afiançando que ser “mauzinho” e agir com “esperteza” e desonestidade é o que vale a pena. São palavras que, embora não tenham sentido algum, foram – e continuam sendo – tão repetidas que acabaram fazendo parte do vocabulário comum e, de quebra, se tornando “verdades”.

É preciso considerar que palavras não são apenas palavras, pois elas possuem força suficiente para levantar o ânimo de alguém, bem como para derrubá-lo de vez. Quantas pessoas carregam traumas e complexos por toda vida em razão de uma frase mal colocada que ouviram na infância? Há palavras que agem como uma tatuagem, que penetram na mente assim como a tinta atravessa as camadas mais profundas da pele. Se remover uma tatuagem, que é algo externo, já é difícil e doloroso, imagine o quão complicado é remover uma ideia depois de incutida no subconsciente? É preciso que haja virtude naquilo que falamos, pois é isso que vai fazer a diferença na vida das pessoas, incluindo a nossa.

Está surgindo mais um movimento ridículo tentando mudar a maneira como nos comunicamos para “neutralizar” a fala e promover um pseudo respeito entre as pessoas, mas isso não passa de outro gesto de pura hipocrisia. O respeito está na justiça dos conceitos que passamos através das palavras, mas aparentemente pouca gente está preocupada com isso. É mais fácil querer impor a troca dos artigos feminino e masculino pela letra “e”, dizendo que isso é o que vai salvar o mundo.

Mas ainda que repitam essa bobagem milhares de vezes, jamais será verdade pelo simples fato de que nela não há qualquer virtude. Aliás, não há nem sequer senso de realidade, pois não passa de mais uma sandice que tenta descaracterizar o ser humano e incutir na mente, principalmente dos mais jovens, conceitos que negam a própria biologia. É preciso estarmos atentos a esse tipo de ideia e sermos cada vez mais seletivos em relação ao que permitimos que entre em nossa cabeça.

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