Análise: Paz, o mais novo sonho de consumo

Meses de quarentena demonstram que é possível e mais prazeroso viver com menos do que se imaginava, valorizando pequenas coisas da vida

 Correria desenfreada, sensação de estar sempre aquém do que deveria, ansiedade em alta, insatisfação crônica. Esses são apenas alguns dos aspectos nocivos amplamente presentes na vida de boa parte das pessoas, principalmente antes da quarentena.

Depois de meses experimentando um estilo de vida que ninguém poderia prever, com “convívio forçado” em família e severas restrições quanto a sair de casa, muita gente chegou à conclusão de que uma vida feliz demanda menos coisas do que se imaginava.

Muitos já descobriram o valor da paz

Muitos já descobriram o valor da paz

Pixabay

Já não faz tanto sentido trabalhar dia e noite para pagar aquele carnê com prestações a perder de vista, só para ter um carro melhor que o do vizinho. Nem viver no limite do orçamento – ou do cheque especial – para ostentar um “life style” que não cabe no bolso e exige cada gota de suor do nosso rosto.

Segundo um estudo do SPC (Serviço de Proteção ao Crédito) e da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), desde o início da pandemia houve um aumento de 25% nas renegociações de dívidas.

Isso demonstra que o brasileiro está mais propenso a pagar o que deve para se ver livre dos excessos do passado. Um número crescente de pessoas planeja reprogramar seus costumes e readequar o orçamento à sua realidade para poder sair da chamada roda dos ratos.

Esse ciclo vicioso de correr o tempo todo para ganhar dinheiro e pagar dívidas pode ser encarado como um tipo de escravidão moderna que, além de privar as pessoas da liberdade de desfrutar uma vida de qualidade, rouba o sossego de milhões de famílias por todo o país.           

O novo sonho de consumo pode ser resumido em apenas três letras: paz. Os mais atentos já perceberam que vale muito mais ter tranquilidade dentro de casa do que um carro novo na garagem com o temor de não dar conta das mensalidades. E que é melhor ver os filhos felizes por terem os pais presentes do que tentar fazê-los felizes com um brinquedo novo.

A imposição da quarentena fez milhares de pessoas perceberem que as coisas mais simples da vida são as que mais trazem satisfação e que as nossas certezas não passam de tentativas frustradas de autoengano. A única coisa que temos é o presente e, com ele, a oportunidade de vivermos um dia de cada vez, com menos cobranças, menos ansiedade e, finalmente, mais paz. Afinal de contas, nada pode comprar a satisfação de um coração tranquilo e de uma consciência sã.        

Autora

Patricia Lages é autora de 5 best-sellers sobre finanças pessoais e empreendedorismo e do blog Bolsa Blindada. É palestrante internacional e comentarista do JR Dinheiro, no Jornal da Record. 

Últimas

    http://meuestilo.r7.com/patricia-lages