Análise: Os Correios devem ser privatizados?

Confira os resultados dos Correios nos últimos sete anos, compare com os serviços que oferecem e você obterá a resposta 

Funcionários dos Correios em todo Brasil anunciaram greve a partir do dia 17 de agosto

Funcionários dos Correios em todo Brasil anunciaram greve a partir do dia 17 de agosto

RONALDO SILVA/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Talvez você não saiba, mas os Correios (ECT – Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos) detêm o monopólio da prestação de serviço postal no país previsto na Constituição. Portanto, antes de qualquer coisa, para que a privatização aconteça, será necessária uma alteração legislativa.

Mas vamos aos números, pois são eles que, no fim das contas, representam a verdade com exatidão e racionalidade. De 2013 a 2016, a estatal amargou quatro anos consecutivos de prejuízos e desde 2017 vem apresentando lucro. Vejamos os números.

Série de prejuízos:
• R$ 313 milhões (2013)
• R$ 20 milhões (2014)
• R$ 2,121 bilhões (2015)
• R$ 1,489 bilhões (2016)

Lucros dos últimos anos:
• R$ 667 milhões (2017)
• R$ 161 milhões (2018)
• R$ 102 milhões (2019)

Apesar dos lucros dos últimos anos, os prejuízos anteriores serão difíceis de serem recuperados. São R$ 3,943 bilhões de prejuízo acumulado contra R$ 930 milhões em lucros. Mesmo com muito otimismo e considerando a possibilidade de que a empresa registre em 2020 o dobro do lucro do ano anterior, seriam necessários 15 anos apenas para reequilibrar as contas.

Mas ainda há um ponto que gostaria de citar: a qualidade dos serviços. Desconheço quem não tenha uma história sobre o envio de uma encomenda que chegou extremamente atrasada ou que nem sequer chegou ao destino. Mas é claro que nem por isso a estatal reembolsou as tarifas. Igualmente não conheço ninguém que recebeu um produto avariado (apesar de bem embalado e identificado como “frágil”) e que tenha conseguido ressarcimento pelo prejuízo.

Mas conheço muita gente que já deu com o nariz na porta de uma agência por motivo de greve. A conclusão é que, ou eu conheço muita gente azarada, ou os serviços não fazem jus a uma empresa que não possui concorrentes, mas mesmo assim, não consegue ser eficiente.

Desde que os Correios começaram a se “modernizar” e passaram a enviar SMS com o status das entregas ou para transmitir informações, espero ansiosamente pela mensagem que eles enviam todo fim de ano. Não é para desejar feliz ano novo, nem nada parecido, afinal, isso qualquer um faz. Trata-se de uma mensagem informando que as encomendas sofrerão atrasos devido ao aumento da demanda.

Não sei você, mas eu acho tão fofo uma empresa – que detém o monopólio dos serviços há mais de 50 anos – se preocupar em avisar antecipadamente seus clientes que os serviços ficarão ainda piores!

É claro que se fosse uma empresa privada, sabendo que todo ano há um aumento considerável na demanda em determinada época do ano, implementaria uma operação para agilizar o serviço, a exemplo do que as indústrias de chocolate fazem em relação à Páscoa: contratação de temporários, programa especial de treinamento e a garantia da melhor distribuição de norte a sul do país.

Mas quando se vive em um país onde ainda há muito paternalismo, que trata escândalos de corrupção como simples irregularidades e onde se demoniza empresas privadas por visarem lucro, a resposta à pergunta que dá título a esta análise tem gerado polêmicas homéricas, ainda que a conclusão seja óbvia.

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