Análise: Oportunidade diante da mediocridade

Com a maioria das pessoas desenvolvendo um trabalho dentro da média ou abaixo dela, está mais fácil do que nunca se destacar

Hoje, um funcionário que se limita a cumprir horários e fazer o que mandam já é considerado acima da média

Hoje, um funcionário que se limita a cumprir horários e fazer o que mandam já é considerado acima da média

Geralt/Pixabay

Nos últimos dias assisti alguns episódios de um reality show onde um profissional famoso tem a função de salvar empresas que estão a ponto de falir. Já assisti versões inglesas e americanas no mesmo formato e o que se vê é o de sempre: como ideias que tinham tudo para dar certo acabam afundando por falta de conhecimento, desentendimentos ou descontrole financeiro.

A versão brasileira, além de refletir os mesmos problemas das demais, também se destaca em pelo menos três pontos: no emprego da “lei do mínimo esforço”, na criatividade das justificativas para cada erro cometido e no empenho sem limites para jogar as próprias culpas nas costas de outras pessoas. Se o tempo empregado em criar estratégias para fazer o mínimo possível ou para inventar desculpas e repassar culpas fosse utilizado no trabalho, muitos dos problemas estariam resolvidos.

Um olhar um pouco mais atento pode notar facilmente que, no Brasil, um funcionário que se limita a cumprir horários e fazer o que mandam já é considerado acima da média. E, de certa forma, está acima mesmo. Isso porque é comum que as pessoas não façam tudo o que deveriam fazer com a competência que deveriam ter.

Muitas se apoiam em falhas na empresa ou nos processos como se elas mesmas não fizessem parte da empresa e não participassem dos processos. Elas se eximem de qualquer contribuição para a derrocada da empresa, incluindo os proprietários que, muitas vezes, agem como se estivessem em guerra contra seus colaboradores e – pasmem – contra os próprios clientes.

É como se as pessoas esperassem que tudo mude sem elas tenham que mudar, pois, em suas visões, suas condutas estão sempre corretas. Chega a ser curioso – e acho que esse é o grande “pulo do gato” desse tipo de programa – ver como as pessoas vivem em uma espécie de bolha, onde creem que fazem “o seu melhor” sem nem sequer fazer o mínimo.

Há participantes que, ao serem confrontados, conseguem perceber que não são os ótimos profissionais que julgavam ser e, nesta hora, a decepção em seus rostos fica evidente. Porém, sem passar por esse constrangimento, dificilmente enxergariam a realidade e teriam uma oportunidade de mudar. Sentir vergonha está em baixa ultimamente, mas esse é um passo fundamental para a mudança rumo à excelência.

Para salvar as empresas, geralmente não é necessária a implantação de mudanças extremas com padrões inalcançáveis de qualidade. Basta que cada um realmente faça o que precisa ser feito e as coisas já começam a melhorar. E os mais inteligentes e diligentes que resolvem fazer algo além do que sua função demanda, já passarão a frente dos demais. Em um mundo de mediocridade, nunca esteve tão fácil se destacar.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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