Patricia Lages Análise: o que toma o seu tempo controla a sua vida

Análise: o que toma o seu tempo controla a sua vida

Estudos revelam os maiores medos dos brasileiros e os efeitos que têm causado na rotina, na saúde e na expectativa de futuro

Pesquisa mostrou que metade dos participantes declarou preocupação extrema com a pandemia

Pesquisa mostrou que metade dos participantes declarou preocupação extrema com a pandemia

Pixabay

Segundo pesquisa feita pela filial brasileira da The Bakery em junho de 2020, o principal medo de 69% dos entrevistados foi perder alguém próximo para a covid-19. Na sequência foram citados temores em relação à própria pessoa contrair o coronavírus, perda do equilíbrio mental e questões relacionadas às finanças, como queda de renda e desemprego. O estudo apontou que, como consequências desse constante estado de alerta, estão a piora da qualidade de sono, o aumento de sensações ligadas à ansiedade e o estresse.

Um levantamento conduzido no fim do ano passado pelo Grupo Abril em parceria com o Instituto MindMiners reafirma que as maiores tensões estão relacionadas ao coronavírus, como o medo da superlotação dos sistemas de saúde e do risco de algum parente ser infectado. Quanto ao grau de tensão, mais da metade dos participantes declarou preocupação extrema com os impactos da pandemia no Brasil.

Entre setembro e dezembro de 2020, o índice de medo do desemprego e da perda de renda cresceu, mostrando que tanto o risco de contrair a doença quanto os efeitos causados pelas restrições ao trabalho têm caminhado juntos.

Medo foi o sentimento mais citado durante a pandemia e 86% dos respondentes afirmaram que, por conta de seu estado mental, sentem-se incapacitados de relaxar e de não ceder às pressões dos compromissos financeiros. E não é à toa que as pessoas não conseguem relaxar, pois mais de 80% declararam recorrer à internet e à TV para aliviar as tensões, mas é justamente por meio desses veículos que o medo tem sido alimentado dia após dia.

Excluindo-se as épocas de guerra, talvez esta seja a maior e mais longa exposição ao medo que os seres humanos já enfrentaram. Com o agravante de que, hoje em dia, temos acesso a notícias 24 horas por dia, sete dias por semana, na palma da nossa mão. E a questão é que aquilo que toma o nosso tempo é o que controla a nossa vida. Se passamos o dia nos alimentando de más notícias, acompanhando cada capítulo da infindável batalha política que se formou, atualizando três vezes ao dia a contagem de mortes e nos expondo a todo tipo de informação negativa sobre as quais não temos ingerência alguma, certamente estaremos nos sujeitando a viver sob o domínio do medo.

A situação requer cuidados, algumas mudanças de hábitos e adequação aos protocolos que, de tempos em tempos, mudam e nos confundem trazendo ainda mais insegurança. Porém, uma coisa é certa: o pavor não trará qualquer benefício. Portanto, poupe-se, mas não deixe de viver por conta do medo de morrer.

Autora

Patricia Lages é autora de 5 best-sellers sobre finanças pessoais e empreendedorismo e do blog Bolsa Blindada. É palestrante internacional e comentarista do JR Dinheiro, no Jornal da Record.

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