Patricia Lages Análise: O populismo e a fórmula macabra que o sustenta

Análise: O populismo e a fórmula macabra que o sustenta

Apesar de o saldo do populismo ser negativo em todos os países onde é implantado, América Latina se rende cada vez mais a ele

Socialismo é uma intervenção do governo que prejudica a população, mas age como se a estivesse ajudando

Socialismo é uma intervenção do governo que prejudica a população, mas age como se a estivesse ajudando

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“O populismo é a forma mais rápida de destruir um país”, resume o jornalista e analista internacional Gustavo Segré, argentino radicado no Brasil há 38 anos. Ele define a prática política como “a união de duas das coisas mais nefastas da sociedade: o comunismo, no que diz respeito à ideologia, e o socialismo, na questão econômica”.

Ideologicamente, o comunismo propõe uma sociedade igualitária, baseada na propriedade comum dos meios de produção. Porém, na prática, trata-se de um regime totalitário que, ao longo da história, demonstrou ser uma máquina de extermínio em larga escala, com um saldo que se aproxima dos 100 milhões de mortos.

Sendo assim, podemos afirmar que o número de vítimas do comunismo é muito maior do que o dos mortos pelo nazismo e até mesmo o das duas guerras mundiais somadas. Só na Rússia e na China, o extermínio ultrapassou a casa dos 80 milhões de pessoas.

Já o socialismo é descrito por Segré como uma intervenção do governo que, ao mesmo tempo que prejudica a população, age como se a estivesse ajudando. “É como se o Estado sorrateiramente quebrasse as pernas de alguém e, em seguida, lhe desse um par de muletas, esperando gratidão de quem recebeu a ‘ajuda’”, ilustra o analista.

Para que o populismo seja introduzido e perpetuado, é necessária a implantação do que Segré chama de “equação macabra”, que visa garantir a manutenção da pobreza e da baixa instrução para que haja uma dependência do Estado cada vez maior.

“Segundo as estatísticas, a classe média começa a ter filhos aos 24 anos e opta por ter dois, para garantir sustento e educação. Já as classes mais baixas começam a ter filhos aos 16 anos e, geralmente, têm quatro. Significa que, em duas gerações, uma família de classe média será formada por quatro eleitores que, historicamente, não votam em políticos populistas. Porém, no mesmo período, as famílias de classes mais baixas terão 12 eleitores altamente dependentes do Estado e que, portanto, seguirão elegendo e reelegendo políticos populistas”, explica Segré.

Diante dessa realidade, é evidente que o abismo entre as classes será cada vez maior, ao contrário do que o populismo teoricamente propõe. A matemática não mente, mas esse tipo de regime, sim.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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