Análise: O Brasil que luta contra o Brasil

Em nome de ideologias e do benefício próprio, vale tudo para derrubar desafetos políticos, inclusive, prejudicar o país inteiro

No Brasil de hoje tem até gente contra a queda de impostos

No Brasil de hoje tem até gente contra a queda de impostos

Reprodução/Impostômetro

Esta análise não é, nem de longe, uma defesa a qualquer político (além de não ser advogada, eles já têm juristas suficientes para desempenhar esse papel). O que defendemos são ideias e o que contrariamos são ações que prejudicam a população como um todo.

É de conhecimento geral que o mundo passa por uma polarização cega, radical e com uma militância (de ambos os lados) que age mais no calor das emoções do que no equilíbrio do raciocínio. E no Brasil não é diferente. Tanto que, para defender ideologias e contrariar desafetos políticos, vale tudo, inclusive (pasme) ser contra aumento de salários e redução de impostos.

Em fevereiro passado, o presidente Jair Bolsonaro oficializou o aumento de 33,24% no piso salarial dos professores de educação básica da rede pública. Segundo as leis brasileiras, é o governo federal que determina os reajustes que estados e municípios devem passar a praticar. Porém, para não sobrecarregar a folha de pagamento, o Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica), desde 2010, ajuda a custear as despesas com educação aportando o valor correspondente a 10% da contribuição dos estados e municípios.

Mesmo assim, sob a alegação de que o aumento quebraria as prefeituras, a própria Confederação Nacional dos Municípios (CNM), orientou prefeitos a não concederem o reajuste determinado pelo governo federal (contrariando a lei), mas darem o reajuste pelo INPC, que fechou em 10,16%, em 2021. Ou seja, para contrariar um, a entidade prefere que milhares de professores recebam menos de um terço do aumento que lhes foi concedido legalmente.

E a bola da vez é a redução linear do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) de 25% em praticamente todos os produtos (com exceção do cigarro, por exemplo). A medida é um incentivo à indústria brasileira que, sabidamente, é massacrada com um emaranhado de tributos que, além de serem difíceis de recolher, são repassados nos preços dos produtos, pesando no bolso do consumidor final.

Embora o país precise avançar com uma ampla reforma tributária (pauta que é chutada de um lado para outro no Congresso há décadas), qualquer redução nos impostos é um alívio para as empresas e para a população que, ao fim e ao cabo, é quem sempre paga a conta.

Mas só para contrariar o governo federal, eis que surge o deputado Marcelo Ramos Rodrigues (PSD/AM) contra a redução do IPI e a favor da manutenção das alíquotas atuais. Sim, você viveu para ler isto: deputado contra a redução de imposto. Para o parlamentar, conceder benefício fiscal em ano eleitoral configura “abuso de poder econômico”. Em outras palavras, para não correr o risco de o eleitor votar em quem decretou medidas em prol da população é preferível atravancar o país um ano inteiro, ainda que milhões de pessoas continuem arcando com uma carga tributária que beira a insanidade.

Com “defensores” da população como esses, que país precisa de inimigos?

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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