Patricia Lages Análise: Novos hábitos, nova cultura, novo normal

Análise: Novos hábitos, nova cultura, novo normal

Formação de uma cultura não acontece da noite para o dia, mas é resultado de condicionamento, seja voluntário ou não

Numa empresa, formar uma cultura é imprescindível para atingir um objetivo comum

Numa empresa, formar uma cultura é imprescindível para atingir um objetivo comum

Geralt/Pixabay

Edgar Schein, um dos principais estudiosos do mundo sobre cultura organizacional e membro do MIT (Massachusetts Institute of Technology – Instituto de Tecnologia de Massachusetts), define a cultura nas empresas como:

“Modo de trabalhar para atingir objetivos comuns, que são seguidos tão frequentemente e com tanto sucesso que as pessoas nem sequer pensam em tentar fazer as coisas de outro modo. Se uma cultura for formada, as pessoas farão, de forma autônoma, o que for preciso fazer para serem bem-sucedidas.”

Dentro de uma empresa, formar uma cultura é imprescindível, pois qualquer organização precisa que seus colaboradores trabalhem para atingir um objetivo comum. E se isso for feito automaticamente, sem que haja a necessidade de intervenções de superiores, melhor ainda. Um bom colaborador é aquele que, ao ingressar na empresa, entende como tudo funciona e, ainda que tenha costumes diferentes, se adapta e faz daquela cultura o seu “novo normal”. 

O que divide as empresas entre bem-sucedidas e malsucedidas é a forma como implementam essa cultura para que haja aderência por parte de cada trabalhador. Quando regras, normas e diretrizes funcionam organicamente a ponto de os colaboradores as obedecerem sem o menor questionamento, o objetivo principal da organização será muito mais fácil de ser alcançado.

Em todas as corporações, para que sua cultura seja aceita e seguida à risca, algumas sanções precisam ser estabelecidas, como: advertências, perda de privilégios e demissões. Até mesmo em empresas desruptivas como a Netflix, onde o clima é de total liberdade, há imposições que a maioria das pessoas tem dificuldades em seguir.

Um exemplo é sua política de férias, pela qual qualquer funcionário pode tirar o quanto quiser, desde que esteja cumprindo com todas as suas responsabilidades. E, para citar mais um, a empresa só aceita funcionários “excelentes”. Aqueles que são apenas “adequados” receberão seu “pacote generoso de demissão” e darão lugar a outras pessoas. Simples assim.

Toda implantação de uma nova cultura segue o mesmo roteiro: definição de regras, ainda que rígidas, mas sempre da forma mais “amigável” possível, para que as pessoas creiam na importância de obedecerem, cumpram as normas automaticamente, sem questionar, e que nem sequer considerem fazer as coisas de forma diferente. E tudo isso para o alcance de um objetivo que visa o “bem comum”.

Há praticamente dois anos, todos nós estamos sendo submetidos a regras para “nos salvar de nós mesmos” e temos de obedecer forçosamente — ainda que pareça que não — a normas que mudam conforme os interesses e que têm sido baseadas em estudos e pesquisas sem consenso médico ou científico. Porém, uma vez que a cultura do medo e a proibição de questionamentos estão implantadas, não importa se há normas sem sentido, sem perdermos nossas liberdades achando que é para o nosso bem e que não tenhamos a menor ideia de onde isso tudo vai parar. O que vale é que o objetivo maior seja conquistado, ainda que ninguém saiba exatamente qual é.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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