Patricia Lages Análise: Narrativas absurdas mesmo diante do óbvio

Análise: Narrativas absurdas mesmo diante do óbvio

Milhões nas ruas de todo país pedem liberdade enquanto narrativas classificam o princípio da democracia como “antidemocrático” 

Apoiadores participam de ato de 7 de setembro com a presença de Jair Bolsonaro na Avenida Paulista

Apoiadores participam de ato de 7 de setembro com a presença de Jair Bolsonaro na Avenida Paulista

Fernando Bicerra/EFE - 07.09.2021

Ainda que queiram “ressignificar” tudo e qualquer coisa, o princípio da democracia é – e sempre será – que todos os cidadãos possam participar do exercício da governança. Quando esse direito é vedado à população significa, antes de qualquer coisa, a perda da democracia.

Mas para fazer as pessoas se esquecerem do que é democracia vale tudo. Vale dizer que só um “governo fraco” colocaria tanta gente na rua. Vale dizer que democracia é “impedir” que as pessoas peçam coisas que “não deveriam estar pedindo”, ainda que sejam maioria. Vale dizer que “a internet precisa ser regulada” para que “pessoas do mal” não possam dizer o que pensam sem que isso passe por um “filtro” – imposto por aqueles seres “do bem” que se autodenominam donos da verdade – e vale dizer, claro, que isso nada tem a ver com censura.

Vale até postar frases no Twitter e ficar esperando que pessoas reajam movidas pela emoção – enquanto mantêm o cérebro devidamente desligado – e repostem em suas redes sociais. Como essa do perfil Haddad Debochado: “Imagina tu sair na rua pra defender gasolina a 7 reais, dólar acima de 5 reais, gás de cozinha acima de 100 reais, 15 milhões de desempregados, superfaturamento na compra de vacinas e milhares de mortes por ineficiência de um governo?”

O debochado só não citou que esse é o resultado da política do “fiquem em casa e a economia a gente vê depois”. Só quem não raciocina poderia apoiar incondicionalmente o lockdown da quarentena eterna sem saber que isso traria aumento de preços, inflação e desemprego. Isso é tão óbvio que até o debochado sabe, mas ele também conhece – e usa muito – a estratégia de Lênin: “Acuse-os do que você faz, chame-os do que você é”. Promoveram incansavelmente a causa e agora – como muito bem planejado – querem culpar (quem sempre foi contra) por todas as consequências.

Quem em sã consciência poderia acreditar que a solução seria trancar tudo por período indeterminado sem que isso gerasse enormes problemas para qualquer economia e que tudo seria resolvido “depois”? Uma promessa impossível, mas que muita gente repetiu dia a noite e que agora parecem ter esquecido. E quem em sã consciência pode cair na conversa de que as manifestações históricas deste 7 de Setembro são em “defesa” da alta de preços? O que a população está pedindo é liberdade. A liberdade que estão tentando, de formas muito sutis, tirar de cada um de nós.

Mas na contramão do óbvio estão as narrativas. E, para que elas funcionem, é preciso inflamar as pessoas com todo tipo de emoção, afinal de contas, se elas raciocinarem – um pouquinho que seja – perceberão a grande manipulação à qual estão sendo submetidas. Para terminar esta análise, três frases complementam o momento que estamos vivendo:

“É mais fácil enganar as pessoas do que convencê-las de que elas foram enganadas.”– Mark Twain

“Quando as pessoas querem o impossível somente os mentirosos podem satisfazê-las.”
Thomas Sowell

“Podeis ouvir constantemente, mas não haveis de compreender; podeis ver e continuar a ver sempre, contudo, jamais percebereis.” – Isaías 6:9

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