Patricia Lages Análise: Não há mais hegemonia na televisão brasileira

Análise: Não há mais hegemonia na televisão brasileira

Novos tempos, novos costumes. Além de disputar a audiência com diversas plataformas, a TV brasileira não tem mais a hegemonia de antes

Na noite desta terça-feira, 16, a novela 'Gênesis', da Record, bateu a audiência da Globo

Na noite desta terça-feira, 16, a novela 'Gênesis', da Record, bateu a audiência da Globo

Divulgação/Record TV

Lembro-me de um documentário sobre a queda do muro de Berlim em que um repórter entrevistava uma senhora que vivia do lado oriental e não estava feliz com a unificação. Em seu protesto diante das câmeras, ela expunha todo o “mal” que o capitalismo traria à vida dos alemães orientais: “Quem precisa de um supermercado com 40 tipos de iogurte? Quem precisa de tantas opções de tudo? Não havia nada de errado em não termos tanta escolha assim!”.

Analogamente, a televisão brasileira do passado era mais ou menos isso. A população estava tão acostumada a consumir praticamente tudo em um canal só que parecia ter se esquecido de que ter mais opções e exercer o poder de escolha é algo incrivelmente positivo.

Hoje, porém, a hegemonia global já não existe mais. Campeonatos de futebol, grandes transmissões esportivas e tantas outras atrações que estavam sob uma espécie de monopólio agora estão em outras “vitrines”, gozando de uma cobertura diferente, mais moderna, mais atrativa e muito mais democrática. Hoje, as emissoras estão em um patamar mais equilibrado, em que todas podem crescer, empregar mais pessoas e melhorar a qualidade de suas produções como um todo. O mercado é outro porque as regras mudaram e o público acordou.

Prova disso é o fato inédito da noite desta terça-feira, 16, quando a novela Gênesis, da Record, bateu a audiência de Um Lugar ao Sol, da Globo. Até então, nenhuma produção de qualquer outra emissora havia superado a novela das 9.

O brasileiro percebeu que ter mais opções, ao contrário do que a senhora alemã pensava, é extremamente positivo. Quando há concorrência saudável quem sai ganhando é o público, pois, além de não ter mais que se submeter aos desejos de um único grupo, ganha a liberdade de buscar conteúdo em outras emissoras e plataformas que estejam mais alinhadas com seus conceitos, valores e até mesmo sua linguagem.

O direito de escolha é inerente ao ser humano, e poder fazer isso em todo e qualquer segmento é motivo de comemoração.

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