Patricia Lages Análise: não é o governo que redistribui renda

Análise: não é o governo que redistribui renda

Mais um episódio da série: brasileiros odeiam os políticos, mas amam o estado. O governo não produz renda, logo, não tem como redistribuí-la

Quem redistribui renda é o mercado

Quem redistribui renda é o mercado

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Por mais que os socialistas preguem que é preciso que o governo interfira na sociedade para implementar o que chamam de “justiça social”, isso não passa de mais um conceito que não deu certo em nenhum lugar do mundo. E há várias razões para isso.

Primeiro porque o termo justiça, em seu significado, exige que ela seja aplicada de forma igual para todos, mas como isso raramente acontece em países como o nosso, criam-se falsas justiças como é o caso da social. Afinal de contas, o que seria justiça social? Tirar de quem tem para dar a quem não tem? Se tirar do pobre para dar ao rico é errado, por que seria certo tirar do rico para dar ao pobre? Desde quando ser pobre dá direito a alguém de reter para si aquilo que é do outro? Seria isso verdadeiramente justo? Não, claro que não.

E segundo porque quem detém algo é o único que possui o direito de distribuir ou redistribui algo. A partir do momento que eu me julgo capaz de distribuir algo que é seu e não meu, o que eu estaria fazendo? Justiça? Não, claro que não.

Quem redistribui renda é o mercado e ele se autorregula quando o Estado não atrapalha. Um governo que facilita a vida de quem empreende, indiretamente ajuda a redistribuir renda. Isso porque, quando alguém decide arriscar seus próprios recursos, seu conhecimento e seu tempo para produzir algo, essa pessoa cria riqueza, abre vagas de emprego, leva à sociedade produtos e serviços necessários e faz o dinheiro circular.

É assim que se redistribui renda: quem tem dinheiro e um projeto debaixo do braço, precisa de mão-de-obra, expertise profissional e investir, de diversas maneiras, naquilo que acredita. Se esse empreendedor encontra facilidades para tornar o seu projeto possível, ele ganha, os funcionários ganham, a sociedade ganha.

Por outro lado, se o governo emperra a vida de quem produz, decreta leis absurdas e desnecessárias e dificulta até mesmo o recolhimento dos impostos, quem perde? Seria apenas o empresário ou também as pessoas que ele deixa de contratar, os fornecedores de quem ele deixa de comprar e até mesmo os impostos, que ele deixa de pagar?

Os conceitos socialistas não resistem nem mesmos a análises simples como esta, por isso, precisa parecer que é algo muito difícil, que a maioria “não entenderia”. Dizem eles que o socialismo só não trouxe prosperidade, igualdade e justiça a nenhum país do mundo onde foi estabelecido porque não foi “implementado corretamente.”

Mas a questão é que, enquanto tivermos quem acredite que é certo tirar de quem faz para dar a quem não faz, jamais viveremos em uma sociedade verdadeiramente justa.

Autora

Patricia Lages é autora de 5 best-sellers sobre finanças pessoais e empreendedorismo e do blog Bolsa Blindada. É palestrante internacional e comentarista do JR Dinheiro, no Jornal da Record.

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