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Patricia Lages Análise: Mulheres não precisam de vitimização

Análise: Mulheres não precisam de vitimização

Não faltam espertalhões que dizem levantar bandeiras pelas mulheres, mas que apenas usam a causa em benefício próprio

Reprodução / Pixabay

Nenhum super-herói existiria se não houvesse vítimas, logo, quem quer posar de herói precisa produzir vítimas, fazendo-as acreditar que, sem ele, não chegarão a lugar algum. E como há muita gente querendo bancar o salvador, é preciso fabricar cada vez mais fracos e oprimidos. Uma dessas fabricações é a “luta” pela igualdade de gênero no mercado de trabalho.

Não faltam organizações – ganhando muito dinheiro – para “defender” as mulheres de um mercado de trabalho cruel e que as menospreza a cada dia. Dizem que ganhamos menos, que encontramos portas fechadas em vários segmentos profissionais e acadêmicos e que é preciso nos “ajudar” a chegarmos onde queremos, caso contrário, o “sistema” não vai permitir nosso avanço.

Bem, não é isso que as estatísticas mostram. Nós, mulheres, não estamos sendo impedidas de ingressar em nenhum ramo de atividade, assim como não há cursos proibidos para nós. Somos maioria nas universidades há vários anos, inclusive em cursos considerados majoritariamente masculinos. Segundo dados do Censo da Educação Superior levantados pelo Quero Bolsa, em pelo menos seis áreas da engenharia a maioria em ingressantes desde 2017 é do sexo feminino.

Outro exemplo é a área da saúde, na qual 84% dos cargos relacionados à saúde mental em 2020 foram ocupados por mulheres. Além dessas, o “sexo frágil” está à frente em diversas áreas, como RH, ocupando mais de 75% das vagas. Mas o que se alardeia são os ramos de atuação onde pontualmente as mulheres são minoria, como desenvolvedor web, por exemplo, função onde 92% são homens. A questão é que essa área – assim como várias outras – não é atrativa para a mulher, ou seja, pouquíssimas se interessam. E se essa falta de interesse é uma escolha da mulher, qual é o problema?

Se a ideia é que haja igualdade de gênero em todas as áreas e, para isso, é preciso aumentar a presença da mulher, por outro lado, teríamos que reduzir sua ocupação em diversos setores, o que nos leva, inevitavelmente, à pergunta: seria isso justo? Se a ideia de justiça é uma divisão igualitária por gênero, acabam-se as escolhas pessoais, assim como se acaba a necessidade da competência.

Como mulher, nunca fui impedida de atuar em nenhuma área, desde que demonstrasse competência para tal. E nunca ganhei menos do que um homem ao desempenhar a mesma função. Aliás, se o mercado pagasse menos para as mulheres, por que as empresas priorizariam a contratação de mais homens, como dizem por aí? Se o capitalismo foca essencialmente no lucro, não seria isso um contrassenso?

O mercado de trabalho se autorregula pelas escolhas que fazemos todos os dias. Se há mais mulheres competentes, mais cargos serão ocupados por nós, mas o contrário também tem de ser respeitado, ou estaremos apenas brincando de ser justos, mas praticando a injustiça. Empoderamento não combina com vitimização. E quem finge ajudar, apenas atrapalha.

Autora

Patricia Lages é autora de 5 best-sellers sobre finanças pessoais e empreendedorismo e do blog Bolsa Blindada. É palestrante internacional e comentarista do JR Dinheiro, no Jornal da Record.

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